março 6, 2026
Saúde

Neurocientista português analisa ligação entre transtornos mentais e violência no Brasil: narcisismo e impulsividade como eixos centrais

Neurocientista português analisa ligação entre transtornos mentais e violência no Brasil: narcisismo e impulsividade como eixos centrais Saúde

O neurocientista Dr. Fabiano de Abreu Agrela Rodrigues, diretor do CPAH – Centro de Pesquisa e Análises Heráclito e membro de sociedades científicas internacionais, publicou no Zenodo o artigo “Transtornos mentais e violência extrema: narcisismo, impulsividade e estudo de caso brasileiro” (DOI: 10.5281/zenodo.17086676).

No estudo, o pesquisador analisa os transtornos mentais mais associados a homicídios e violência, propondo que o narcisismo e a impulsividade funcionam como eixos centrais para compreender os mecanismos neurocognitivos envolvidos. Para ele, o narcisismo não deve ser visto apenas como diagnóstico isolado, mas como falha transversal nos circuitos frontolímbicos (córtex pré-frontal ventromedial, orbitofrontal, córtex cingulado anterior e ínsula), amplificada pela hiperatividade da amígdala, que reduz a empatia e aumenta a necessidade de destaque social.

O Brasil como estudo de caso

O artigo utiliza o Brasil como referência, dado que o país ocupa posições recorrentes entre os mais violentos do mundo. Entre os fatores de risco destacados estão:

  • Maior prevalência mundial de ansiedade, segundo a OMS;
  • Uso intensivo de redes sociais, que reforça traços narcísicos e impulsivos;
  • Elevado consumo de álcool, cannabis, cocaína e crack, além de medicamentos de acesso facilitado;
  • Má nutrição, deficiências em cuidados gestacionais e ausência de atenção emocional parental;
  • Sistema de saúde mental frágil, sem triagem precoce eficaz, especialmente entre populações pobres;

Esses elementos, quando somados à desigualdade social, criam um terreno fértil para a prevalência de transtornos graves ligados à violência extrema.

Hierarquia dos transtornos mais associados à violência

O estudo propõe uma ordem de risco:

  1. Transtorno de personalidade antissocial/psicopatia.
  2. Transtornos relacionados ao uso de substâncias.
  3. Transtornos psicóticos com comorbidade por drogas.
  4. Transtorno bipolar em fase maníaca com sintomas psicóticos.
  5. Transtorno de personalidade borderline.
  6. Transtornos explosivos intermitentes e de conduta em adolescentes.

Conclusão

Para Abreu, a violência extrema não pode ser compreendida apenas pela presença de diagnósticos clínicos, mas pela convergência de fatores neurobiológicos e socioculturais. “No Brasil, o impacto do narcisismo é potencializado pelo uso massivo de redes sociais e pela ausência de atenção emocional nas famílias, enquanto o uso de álcool e drogas atua como catalisador da violência”, explica.

O pesquisador reforça que a integração entre evidências neurobiológicas e o contexto sociocultural é essencial para desenvolver políticas de prevenção mais eficazes e reduzir os índices de homicídios.

Sobre o autor

Dr. Fabiano de Abreu Agrela Rodrigues é Pós-PhD em Neurociências, membro da Sigma Xi – The Scientific Research Honor Society, da Society for Neuroscience, da Royal Society of Biology e da Royal Society of Medicine, entre outras. É autor de mais de 350 estudos científicos e 30 livros. Atualmente dirige o CPAH – Centro de Pesquisa e Análises Heráclito e coordena o projeto GIP, que investiga a inteligência genética.

Neurocientista propõe novo conceito sobre narcisismo e sua relação com transtornos de personalidade e violência

O neurocientista Dr. Fabiano de Abreu Agrela Rodrigues, membro de sociedades científicas internacionais e diretor do CPAH – Centro de Pesquisa e Análises Heráclito, acaba de publicar no repositório internacional o artigo “Narcisismo como eixo instintivo transversal aos transtornos do cluster B: um conceito neurocognitivo” (DOI: 10.5281/zenodo.17086630).

No estudo, Abreu propõe que o narcisismo não deve ser visto apenas como um transtorno isolado, mas como um eixo instintivo de pertencimento social que atravessa todos os transtornos do cluster B (narcisista, borderline, histriônico e antissocial/psicopatia).

Segundo o pesquisador, a necessidade de chamar a atenção do grupo e ser aceito está enraizada na biologia humana como um instinto de sobrevivência. Quando exacerbada, essa tendência gera disfunções nos circuitos do cérebro responsáveis pela empatia e pela regulação social.

A base neurobiológica do conceito

Abreu explica que o narcisismo em excesso está ligado a alterações em áreas do cérebro:

  • Córtex pré-frontal ventromedial (vmPFC) – responsável pela regulação da empatia cognitiva.
  • Córtex orbitofrontal (OFC) – associado à busca por recompensa social e status.
  • Córtex cingulado anterior (ACC) e ínsula – centrais para a empatia afetiva.
  • Amígdala – que, quando hiperativa, intensifica a reatividade emocional.

O resultado é menor empatia e maior necessidade de sobressair socialmente — que pode se manifestar de formas diferentes: na teatralidade do histriônico, na instabilidade do borderline ou na frieza antissocial/psicopática.

Implicações sociais

Para o neurocientista, compreender o narcisismo como eixo transversal é crucial para interpretar o aumento de violência e comportamentos de risco, especialmente em sociedades como a brasileira, marcada por desigualdade, uso excessivo de redes sociais e altos índices de ansiedade.

“O narcisismo é um instinto humano de pertencimento. Quando moderado, ajuda na adaptação social. Mas quando exagerado, transforma-se em disfunção da empatia e pode levar a comportamentos extremos, inclusive violentos”, afirma Abreu.

O autor

Dr. Fabiano de Abreu Agrela Rodrigues é Pós-PhD em Neurociências, membro da Sigma Xi – The Scientific Research Honor Society, da Society for Neuroscience, da Royal Society of Biology e da Royal Society of Medicine, entre outras instituições. É autor de mais de 350 estudos científicos e 30 livros, além de professor convidado em universidades no Brasil, Bolívia e México. Atualmente, dirige o CPAH – Centro de Pesquisa e Análises Heráclito e coordena o projeto GIP, que investiga a inteligência genética.

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