O neurocientista Dr. Fabiano de Abreu Agrela Rodrigues, diretor do CPAH – Centro de Pesquisa e Análises Heráclito e membro de sociedades científicas internacionais, publicou no Zenodo o artigo “Transtornos mentais e violência extrema: narcisismo, impulsividade e estudo de caso brasileiro” (DOI: 10.5281/zenodo.17086676).
No estudo, o pesquisador analisa os transtornos mentais mais associados a homicídios e violência, propondo que o narcisismo e a impulsividade funcionam como eixos centrais para compreender os mecanismos neurocognitivos envolvidos. Para ele, o narcisismo não deve ser visto apenas como diagnóstico isolado, mas como falha transversal nos circuitos frontolímbicos (córtex pré-frontal ventromedial, orbitofrontal, córtex cingulado anterior e ínsula), amplificada pela hiperatividade da amígdala, que reduz a empatia e aumenta a necessidade de destaque social.
O Brasil como estudo de caso
O artigo utiliza o Brasil como referência, dado que o país ocupa posições recorrentes entre os mais violentos do mundo. Entre os fatores de risco destacados estão:
- Maior prevalência mundial de ansiedade, segundo a OMS;
- Uso intensivo de redes sociais, que reforça traços narcísicos e impulsivos;
- Elevado consumo de álcool, cannabis, cocaína e crack, além de medicamentos de acesso facilitado;
- Má nutrição, deficiências em cuidados gestacionais e ausência de atenção emocional parental;
- Sistema de saúde mental frágil, sem triagem precoce eficaz, especialmente entre populações pobres;
Esses elementos, quando somados à desigualdade social, criam um terreno fértil para a prevalência de transtornos graves ligados à violência extrema.
Hierarquia dos transtornos mais associados à violência
O estudo propõe uma ordem de risco:
- Transtorno de personalidade antissocial/psicopatia.
- Transtornos relacionados ao uso de substâncias.
- Transtornos psicóticos com comorbidade por drogas.
- Transtorno bipolar em fase maníaca com sintomas psicóticos.
- Transtorno de personalidade borderline.
- Transtornos explosivos intermitentes e de conduta em adolescentes.
Conclusão
Para Abreu, a violência extrema não pode ser compreendida apenas pela presença de diagnósticos clínicos, mas pela convergência de fatores neurobiológicos e socioculturais. “No Brasil, o impacto do narcisismo é potencializado pelo uso massivo de redes sociais e pela ausência de atenção emocional nas famílias, enquanto o uso de álcool e drogas atua como catalisador da violência”, explica.
O pesquisador reforça que a integração entre evidências neurobiológicas e o contexto sociocultural é essencial para desenvolver políticas de prevenção mais eficazes e reduzir os índices de homicídios.
Sobre o autor
Dr. Fabiano de Abreu Agrela Rodrigues é Pós-PhD em Neurociências, membro da Sigma Xi – The Scientific Research Honor Society, da Society for Neuroscience, da Royal Society of Biology e da Royal Society of Medicine, entre outras. É autor de mais de 350 estudos científicos e 30 livros. Atualmente dirige o CPAH – Centro de Pesquisa e Análises Heráclito e coordena o projeto GIP, que investiga a inteligência genética.
Neurocientista propõe novo conceito sobre narcisismo e sua relação com transtornos de personalidade e violência
O neurocientista Dr. Fabiano de Abreu Agrela Rodrigues, membro de sociedades científicas internacionais e diretor do CPAH – Centro de Pesquisa e Análises Heráclito, acaba de publicar no repositório internacional o artigo “Narcisismo como eixo instintivo transversal aos transtornos do cluster B: um conceito neurocognitivo” (DOI: 10.5281/zenodo.17086630).
No estudo, Abreu propõe que o narcisismo não deve ser visto apenas como um transtorno isolado, mas como um eixo instintivo de pertencimento social que atravessa todos os transtornos do cluster B (narcisista, borderline, histriônico e antissocial/psicopatia).
Segundo o pesquisador, a necessidade de chamar a atenção do grupo e ser aceito está enraizada na biologia humana como um instinto de sobrevivência. Quando exacerbada, essa tendência gera disfunções nos circuitos do cérebro responsáveis pela empatia e pela regulação social.
A base neurobiológica do conceito
Abreu explica que o narcisismo em excesso está ligado a alterações em áreas do cérebro:
- Córtex pré-frontal ventromedial (vmPFC) – responsável pela regulação da empatia cognitiva.
- Córtex orbitofrontal (OFC) – associado à busca por recompensa social e status.
- Córtex cingulado anterior (ACC) e ínsula – centrais para a empatia afetiva.
- Amígdala – que, quando hiperativa, intensifica a reatividade emocional.
O resultado é menor empatia e maior necessidade de sobressair socialmente — que pode se manifestar de formas diferentes: na teatralidade do histriônico, na instabilidade do borderline ou na frieza antissocial/psicopática.
Implicações sociais
Para o neurocientista, compreender o narcisismo como eixo transversal é crucial para interpretar o aumento de violência e comportamentos de risco, especialmente em sociedades como a brasileira, marcada por desigualdade, uso excessivo de redes sociais e altos índices de ansiedade.
“O narcisismo é um instinto humano de pertencimento. Quando moderado, ajuda na adaptação social. Mas quando exagerado, transforma-se em disfunção da empatia e pode levar a comportamentos extremos, inclusive violentos”, afirma Abreu.
O autor
Dr. Fabiano de Abreu Agrela Rodrigues é Pós-PhD em Neurociências, membro da Sigma Xi – The Scientific Research Honor Society, da Society for Neuroscience, da Royal Society of Biology e da Royal Society of Medicine, entre outras instituições. É autor de mais de 350 estudos científicos e 30 livros, além de professor convidado em universidades no Brasil, Bolívia e México. Atualmente, dirige o CPAH – Centro de Pesquisa e Análises Heráclito e coordena o projeto GIP, que investiga a inteligência genética.

