Falência da Oi reacende debate sobre limites da recuperação judicial
Notícias

Falência da Oi reacende debate sobre limites da recuperação judicial

Falência da Oi reacende debate sobre limites da recuperação judicial Notícias

O especialista em Recuperação Judicial, Hanna Mtanios, comenta os desafios e lições do processo bilionário da Oi para empresas em falência.

 A Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel), vai executar R$450 milhões em garantias vinculadas à Oi para manter serviços essenciais de telefonia e o processo de migração da empresa de telefonia para um novo grupo que está em falência devido a dívidas bilionárias.

O advogado especialista em Recuperação Judicial Hanna Mtanios explica que o processo evidencia os desafios da recuperação judicial de empresas que prestam serviços públicos, como é o caso desta empresa de telefonia. Hanna pontua que a RJ de empresas como a OI ultrapassa a barreira não apenas investidores e credores, como milhares de pessoas de todo o País.

Os efeitos da falência já foram antecipados pela Justiça do Rio de Janeiro. O prazo da decisão expira no dia 31 de outubro, mas todo o conselho da empresa já foi afastado pela Justiça, que determinou o início de um plano de transição para garantir a continuidade destes serviços de telefonia.

O que acontece com a Oi nesta fase?

Hanna explica que, juridicamente, após a decisão de afastamento será o administrador judicial que vai gerir a empresa até que o processo de recuperação judicial termine e tem um papel importante, que cumpre a força de um comando judicial.

Conforme o especialista, a manutenção das atividades neste período após a determinação da falência acontece porque a recuperação judicial envolve um serviço que não pode ser interrompido  e que tem respaldo em lei. “Ele vai, naturalmente, acompanhar. Será ele que vai conduzir o processo até que os ativos sejam transferidos para outras empresas e terceiros sem que os serviços sejam interrompidos”, avaliou.

Modelo para outros casos

Mtanios avalia que o caso da Recuperação Judicial da Oi vai se tornar um exemplo para outros casos que tramitam na Justiça, não apenas para casos de serviços essenciais, como energia e transporte, mas que com a decisão pode se tornar um modelo para os próximos julgadores.

“São vários serviços essenciais. E o destino da Oi pode servir de modelo para outras empresas que estão em processo de recuperação mais recentes e que ainda não chegaram ao STJ ou aos tribunais regionais”, avaliou Hanna.

Desafios de toda empresa

O especialista destaca ainda que um dos desafios é conciliar a proteção dos credores com a continuidade destes serviços, que são públicos, como é o caso da telefonia, mas ressalta que todo empresário tem uma função pública. “Esse é o espírito da lei de recuperação judicial. Manter a empresa, manter a prestação de serviços, manter aquela empresa funcionando com os empregos, com o pagamento de impostos, naturalmente protegendo os credores”, avaliou.

O advogado reitera ainda que RJ é última instância, a “sala de espera” para quem está em no processo de reestruturação e precisa ser bem executado e planejado para que a empresa não feche às portas, e venha a falir.  “Se for bem planejado, tiver uma boa assessoria jurídica, contábil, e multidisciplinar não convole em falência e será bom para credores, para os empresários, para a cidade e para o Estado, que seguirá recebendo os impostos e com a manutenção do emprego de trabalhadores”, concluiu.

Foto: José Cruz/Agência Brasil

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *