Médico Gabriel Resende alerta para o subdiagnóstico, observa aumento na busca por diagnósticos e tratamentos de lipedema, condição que afeta até 11% das mulheres e é frequentemente confundida com obesidade ou retenção de líquidos
Embora seja uma condição reconhecida pela Organização Mundial da Saúde desde 2018, o lipedema ainda é pouco compreendido, inclusive por profissionais da área médica. Caracterizado pelo acúmulo anormal e doloroso de gordura, principalmente nas pernas, quadris e braços, o distúrbio afeta cerca de 1 em cada 10 mulheres, segundo levantamento publicado em 2024 na revista Lipedema: A common though often unrecognized condition. 
O tema tem ganhado destaque mundial, e também chama atenção em Goiânia. Para o médico Gabriel Resende, especialista em nutrologia e longevidade, um aumento significativo na procura por avaliação e diagnóstico de lipedema no consultório exige que as pessoas tenham maior conhecimento sobre o tema.
“Muitas mulheres chegam relatando dificuldade para emagrecer, dor constante nas pernas e sensação de peso, mesmo com dieta e exercícios. Em muitos casos, não é falta de esforço, é lipedema uma condição real e ainda subdiagnosticada”, explica o especialista.
Formado pelo Centro Universitário de Brasília, com pós-graduação em Nutrologia pela ABRAN e certificações internacionais em nutrição esportiva, o médico tem se destacado no acompanhamento de pacientes que buscam qualidade de vida e controle de peso com base em exames específicos e protocolos individualizados.
Para ele, o diagnóstico precoce faz toda a diferença no controle da dor, da inflamação e na preservação da mobilidade. “Hoje já sabemos que o lipedema não é uma questão estética, mas sim uma doença metabólica e inflamatória. Estudos recentes mostram correlação com distúrbios do tecido conjuntivo e até com hipermobilidade articular”, comenta Resende.
Além do impacto físico, o lipedema também carrega um peso emocional importante. Muitas mulheres relatam frustração, baixa autoestima e sensação de injustiça após anos de tentativas frustradas de emagrecimento.
Muitas celebridades também têm ajudado a dar visibilidade à doença. Paolla Oliveira, Yasmin Brunet, Carla Prata, Tati Maranhão e a ex-BBB Amanda Meirelles são algumas das famosas que revelaram conviver com o lipedema, relatando dores, inchaço e dificuldades em manter o equilíbrio corporal, mesmo com rotina saudável. Ao compartilharem suas histórias, elas contribuíram para ampliar a conscientização sobre o diagnóstico e desmistificar a ideia de que o problema está ligado apenas ao peso ou à estética.
Para o médicol, é nesse ponto que o acompanhamento multidisciplinar, que une nutrologia, endocrinologia, fisioterapia e suporte psicológico, faz a diferença.
“O olhar humano e personalizado é essencial. Nosso objetivo é devolver qualidade de vida e mostrar que existe um caminho possível para tratar o lipedema de forma responsável e sem sofrimento”, destaca.
O aumento da visibilidade sobre o tema também é uma oportunidade de conscientização social. Segundo a Harvard Health Publishing, o maior desafio do lipedema é justamente sua “invisibilidade” muitas vezes confundido com gordura localizada ou celulite, o que retarda o tratamento e amplia o sofrimento das pacientes.
@dr.gabrielresende

