Atualização do modelo alimentar dos Estados Unidos reforça discussões já observadas na prática sobre o impacto dos carboidratos rápidos e o papel das proteínas na sustentação do metabolismo
A recente atualização das diretrizes alimentares dos Estados Unidos, que passou a dar menos protagonismo aos carboidratos refinados e maior destaque às proteínas e gorduras, trouxe novamente ao centro do debate a relação entre digestão, estabilidade metabólica e padrões alimentares. No Brasil, o tema ganha relevância tanto do ponto de vista da saúde quanto da produção agropecuária, especialmente em um país que é um dos maiores produtores de proteína animal do mundo.
Para o zootecnista e consultor financeiro Fabiano Tavares, a mudança internacional representa menos uma inovação e mais o reconhecimento institucional de um fenômeno observado há anos na prática. Segundo ele, o principal desafio da alimentação moderna está na predominância de alimentos de digestão rápida, como açúcares, farinhas refinadas e ultraprocessados, que entram rapidamente no organismo, elevam a glicemia e exigem grandes liberações de insulina. Esse processo, explica, tende a gerar ciclos curtos de energia seguidos por fome precoce e queda de rendimento físico e mental.
Fabiano destaca que alimentos de digestão lenta promovem um efeito oposto, ao oferecer liberação energética gradual e maior tempo de saciedade. Nesse contexto, as carnes vermelhas assumem papel estratégico do ponto de vista fisiológico, por serem fontes de proteínas completas e por permanecerem mais tempo em digestão no organismo. “Quando a base alimentar é construída sobre alimentos que sustentam o metabolismo por mais horas, há menos oscilação glicêmica e maior estabilidade ao longo do dia”, afirma.
O especialista ressalta ainda que essa lógica ajuda a compreender por que, em dietas estruturadas com maior presença de proteínas e gorduras naturais, o jejum tende a ocorrer de forma mais natural. De acordo com ele, a dificuldade associada ao jejum está diretamente relacionada a padrões alimentares baseados em carboidratos de rápida absorção, que mantêm o organismo em constante estado de urgência energética.
Para Fabiano Tavares, a discussão que volta à pauta com a mudança das diretrizes internacionais é especialmente relevante para o Brasil, onde a cadeia da carne tem peso econômico, social e produtivo expressivo. “A questão central não é comer menos, mas escolher alimentos que permaneçam mais tempo nutrindo o organismo e respeitem a fisiologia humana”, pontua.
Na avaliação do zootecnista, a revisão do modelo alimentar reforça a necessidade de repensar padrões consolidados ao longo das últimas décadas. “O corpo humano não foi projetado para viver de picos glicêmicos constantes, mas de estabilidade. A diretriz muda, mas a fisiologia continua a mesma”, conclui.
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