Especialistas apontam necessidade de intensificação alimentar para manter desempenho dos animais e evitar alongamento do ciclo produtivo
A chegada de abril marca uma mudança relevante nas condições de produção da pecuária de corte a pasto no Brasil. Com a transição para o período seco, a qualidade das pastagens começa a cair, afetando diretamente o desempenho dos animais e a eficiência dos sistemas produtivos.
A redução nos níveis de proteína e energia do capim compromete o ganho de peso, aumenta a desuniformidade dos lotes e prolonga o ciclo de terminação. Esse movimento tende a elevar o custo por arroba produzida, em um momento em que o setor já convive com margens mais ajustadas.
De acordo com o zootecnista e gestor comercial da Nutriganho, Fernando Carlos, o período exige atenção redobrada do produtor. “Abril deixou de ser apenas uma transição entre águas e seca. Hoje, é um momento em que decisões de manejo impactam diretamente o resultado econômico da operação”, afirma.
Segundo ele, a estratégia de manter os animais exclusivamente a pasto até o auge da seca ainda é comum, mas pode comprometer o desempenho produtivo. “O animal tende a reduzir o ganho de peso à medida que o pasto perde qualidade. Isso alonga o ciclo e pode deslocar a venda para janelas de mercado menos favoráveis”, diz.
Nesse contexto, cresce a adoção de ferramentas de intensificação, como suplementação energética, sistemas de semi-confinamento e modelos de terminação intensiva a pasto (TIP). A proposta é compensar a queda nutricional da forragem e manter níveis adequados de desempenho.
“Não se trata necessariamente de aumentar custos, mas de direcionar melhor o investimento. Ao corrigir a dieta, o produtor melhora a conversão alimentar e reduz o tempo até o abate”, explica Fernando.
Além dos aspectos técnicos, a antecipação da terminação também tem implicações financeiras. A redução do ciclo produtivo permite giro mais rápido do capital, melhora o fluxo de caixa e libera áreas para novas estratégias dentro da propriedade.
“O tempo passou a ser um fator determinante. Produzir mais arrobas em menos tempo e posicionar melhor a venda faz diferença no resultado final”, afirma.
Com isso, abril se consolida como um período crítico para a pecuária a pasto, exigindo maior planejamento e capacidade de adaptação por parte dos produtores diante das mudanças nas condições de produção e de mercado.
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