A posse do novo presidente do Tribunal Superior Eleitoral, ministro Kassio Nunes Marques, movimentou Brasília e reuniu algumas das principais autoridades políticas do país em uma cerimônia marcada por discursos em defesa da democracia, sinais para as eleições de 2026 e bastidores de forte tensão política.
O evento contou com a presença do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, dos presidentes da Câmara e do Senado, além de ministros do STF, parlamentares, empresários e figuras públicas. Também chamou atenção a presença da ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro, que ocupou lugar de destaque nas primeiras fileiras da solenidade.
Durante o discurso de posse, Kassio Nunes Marques afirmou que pretende conduzir o tribunal com “equilíbrio, prudência e neutralidade institucional”, defendendo a liberdade de expressão e destacando os desafios que a inteligência artificial pode trazer para as eleições de 2026. O novo presidente do TSE também reforçou a confiança nas urnas eletrônicas e afirmou que o sistema eleitoral brasileiro é “patrimônio da democracia”.
Mas foi nos bastidores que o clima político ganhou força.
Um dos momentos mais comentados da noite envolveu Lula e o presidente do Senado, Davi Alcolumbre. Os dois ficaram sentados lado a lado na mesa principal da cerimônia, em meio ao desgaste recente entre o Palácio do Planalto e o senador. O constrangimento ficou evidente em alguns momentos do evento, principalmente após Alcolumbre evitar aplaudir o advogado-geral da União, Jorge Messias, nome ligado diretamente ao presidente Lula e que recentemente sofreu derrota política no Senado em uma indicação ao STF.
Nos corredores do tribunal, o gesto foi interpretado como mais um sinal do distanciamento entre Alcolumbre e o governo federal. Integrantes da política em Brasília comentavam reservadamente que a relação entre os dois líderes atravessa um dos momentos mais delicados desde o início do atual mandato.
A presença de Michelle Bolsonaro também movimentou o ambiente político. Elegante e bastante assediada por apoiadores e convidados, a ex-primeira-dama conversou com aliados do PL e manteve postura discreta durante a cerimônia. A participação dela ganhou ainda mais repercussão pelo fato de o ex-presidente Jair Bolsonaro, que indicou Kassio Nunes Marques ao STF, não ter comparecido ao evento.
A posse de Kassio é vista como estratégica para o cenário político nacional, já que ele comandará o TSE justamente durante as eleições presidenciais de 2026, em um momento de forte polarização política no país.
Por Isabel Almeida


