Mesmo sem produzir um único grão, a Suíça se tornou a segunda maior exportadora de café do mundo, atrás apenas do Brasil. O sucesso do país está ligado à torrefação premium, às cápsulas e ao domínio tecnológico das máquinas de café.
Com esse processo de beneficiamento, a indústria suíça gera excelentes margens de lucro: segundoLink externo o Swiss Trade Monitor da Universidade de St. Gallen, os grãos de café (o chamado green coffee) são importados para a Suíça por cerca de cinco dólares por quilograma. Quando saem das torrefações suíças, seu valor sobe para 26,80 dólares por quilo.
Essa enorme valorização faz do café, atualmente, o principal produto agrícola de exportação da Suíça – com uma participação de cerca de 33%, superando inclusive produtos tradicionais de exportação, como queijo ou chocolate.
No entanto, a especialização em produtos de alto valor agregado e vendidos em porções individuais explica por que a Suíça supera esses dois países no valor total das exportações.
Segundo a mesma fonte, o café verde chega quase sempre pela via do Reno. Os grãos alcançam primeiro portos marítimos como os de Antuérpia, Rotterdam ou Hamburgo; ali são transferidos e depois transportados rio acima, pelo Reno, até Basel, onde se instalaram muitas das grandes empresas de comércio de café cru.
Milagre da “transformação substancial”
Mas por que o café apenas torrado na Suíça pode ostentar uma cruz suíça na embalagem? O segredo por trás do sucesso do país é uma sutileza jurídica chamada “transformação substancial” (substantial transformation).
Segundo o direito comercial internacional, um produto adquire a origem do país em que sofreu sua transformação decisiva.

No caso do café, as autoridades alfandegárias de todo o mundo decidiram que a torrefação dos grãos verdes constitui precisamente esse tipo de transformação. Foi essa artimanha jurídica que transformou a Suíça em um dos maiores países do café do planeta.
“Coffee Valley” e a precisão suíça
Mas não são apenas os grãos. Ao redor do Lago de Genebra e no leste da Suíça desenvolveram-se verdadeiros ecossistemas, frequentemente chamados de “Coffee Valley”. Ali não se encontram apenas gigantes como Nestlé (com suas marcas Nescafé e Nespresso), mas também os líderes tecnológicos do setor.
Se a Suíça ocupa o segundo lugar no mercado do café, domina de maneira incontestável o mercado das máquinas automáticas de café: cerca de 70% de todas as máquinas vendidas no mundo são fabricadas na Suíça.

Elas são produzidas por líderes do setor como Jura, Schaerer e Thermoplan. Esta última, por exemplo, fornece todas as máquinas de café para as lojas da rede Starbucks.
Por trás do sucesso desses fabricantes estão também fornecedores suíços que produzem componentes altamente especializados. Essas peças plásticas de precisão precisam suportar pressões extremas de até 20 bar e temperaturas de 100 °C – condições necessárias para a preparação de um café refinado de alta qualidade.


