Advogado William Rocha analisa os 36 anos do ECA
Rio de janeiro

Advogado William Rocha analisa os 36 anos do ECA

Advogado William Rocha analisa os 36 anos do ECA Rio de janeiro

Em 13 de julho de 1990, o Brasil deu um passo histórico ao promulgar o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), consolidando a doutrina da proteção integral prevista na Constituição Federal.

 Sócio do escritório Terra Rocha Advogados e diretor de Inclusão Digital e Inovação da OAB-RJ, o professor William Rocha analisa a importância do ECA,  trinta e seis anos depois.
 “Os princípios que transformaram a infância e a adolescência em prioridade absoluta permanecem atuais, mas enfrentam um cenário profundamente diferente daquele imaginado pelo legislador. A infância do século XXI é cada vez mais digital. Crianças e adolescentes estudam, se comunicam, consomem conteúdo, jogam e constroem sua identidade em ambientes virtuais. A internet deixou de ser apenas uma ferramenta para se tornar um espaço de desenvolvimento humano, o que exige uma releitura dos direitos assegurados pelo ECA sob a ótica da transformação digital “- diz o advogado.
É nesse contexto que ganha relevância o chamado ECA Digital.
 ” Mais do que um conceito, trata-se de uma evolução da proteção integral, voltada para garantir que os direitos fundamentais previstos no Estatuto também sejam efetivos no ambiente digital. A preocupação deixa de ser apenas com a integridade física ou psicológica e passa a abranger a proteção dos dados pessoais, da privacidade, da identidade digital e da autonomia informacional de crianças e adolescentes”- afirma William Rocha.
  De acordo com o professor, ” A Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD) reforçou esse movimento ao estabelecer tratamento diferenciado para os dados pessoais de crianças, determinando que o seu melhor interesse seja o parâmetro central para qualquer atividade de tratamento”:
 ” Essa lógica aproxima a LGPD da essência do ECA: ambos reconhecem que crianças e adolescentes demandam proteção especial diante de sua condição peculiar de desenvolvimento. Os desafios, entretanto, vão muito além da proteção de dados. O ambiente digital expõe jovens a riscos relacionados à coleta excessiva de informações, perfis comportamentais, publicidade direcionada, manipulação algorítmica, cyberbullying, exploração comercial, golpes virtuais e conteúdos inadequados”.
 A inteligência artificial amplia essas preocupações ao utilizar grandes volumes de dados para influenciar decisões, preferências e comportamentos.Nesse cenário,  explica William Rocha,  “o ECA Digital representa uma agenda que envolve educação digital, cidadania, transparência das plataformas, responsabilidade dos agentes de tratamento de dados e fortalecimento da atuação das famílias, das escolas, do poder público e da sociedade”.
 ” Não basta restringir o acesso às tecnologias; é necessário promover um ambiente digital seguro, ético e compatível com o desenvolvimento saudável de crianças e adolescentes.Também se torna indispensável estimular o letramento digital desde os primeiros anos de formação”- diz o advogado.
  Ensinar crianças a compreender os riscos da exposição de dados, identificar desinformação, reconhecer manipulações e exercer seus direitos digitais passa a ser uma política pública tão importante quanto a educação tradicional.
 Para William Rocha, “ao completar 36 anos, o Estatuto da Criança e do Adolescente demonstra que seus princípios permanecem sólidos. O que mudou foi o ambiente em que esses direitos precisam ser protegidos. Se antes a prioridade era assegurar direitos no mundo físico, hoje a missão é garantir que a proteção integral acompanhe a realidade digital”
“O verdadeiro desafio das próximas décadas não será apenas conectar crianças e adolescentes à tecnologia, mas assegurar que essa conexão ocorra com dignidade, segurança, privacidade e respeito aos seus direitos fundamentais. O ECA continua sendo o alicerce dessa proteção. o ECA Digital é o caminho natural para que essa garantia permaneça efetiva na sociedade conectada”- conclui o advogado.
  Foto (Divulgação): Terra Rocha Advogados.