O Presidente do Cebes, Carlos Fidelis, participou da mesa de abertura da cerimônia pelo Dia Nacional da Saúde e pelo aniversário de Oswaldo Cruz, na Fiocruz. Na ocasião, foi realizada uma homenagem que marcou os 40 anos da reintegração dos cientistas cassados pela ditadura militar. A instituição concedeu, postumamente, o título de Pesquisador Emérito a Augusto Cid de Mello Perissé, Tito Arcoverde de Albuquerque Cavalcanti, Haity Moussatché, Fernando Braga Ubatuba, Moacyr Vaz de Andrade, Hugo de Souza Lopes, Masao Goto, Sebastião José de Oliveira e Domingos Arthur Machado Filho. Herman Lent, pesquisador emérito da Fiocruz desde 2004, também foi reverenciado.
A solenidade aconteceu nas escadarias do Castelo Mourisco, o mesmo local onde, em 1986, durante a gestão de Sergio Arouca, os cientistas retornaram à instituição, com a participação de pesquisadores, trabalhadores, estudantes, familiares dos homenageados e autoridades. A mesa de abertura teve a presença do presidente da Fiocruz, Mario Moreira, do presidente do Centro Brasileiro de Estudos de Saúde (Cebes), Carlos Fidelis, que também integra o Sindicato das Trabalhadoras e dos Trabalhadores da Fiocruz (Asfoc-SN) e de representantes da Organização Pan-Americana da Saúde (Opas/OMS) e do Instituto Oswaldo Cruz.
Também foram homenageados Walter Oswaldo Cruz, um dos fundadores da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC), Francisco José Rodrigues Gomes, conhecido como Chico Trombone, figura histórica dos laboratórios de Manguinhos, madre Maria de Fátima; e pessoas que, há 40 anos, contribuíram para a reintegração dos cientistas cassados.
Carlos Fidelis destacou que a homenagem não dizia respeito apenas ao passado. Antes do golpe de 1964, afirmou, o Brasil vivia um dos períodos mais criativos de sua história. Ciência, cultura, educação, pensamento social e mobilização política alimentavam a convicção de que era possível construir um país capaz de superar as marcas da colonização, da escravidão, do racismo, da concentração de renda, da desigualdade e da violência. “O golpe militar interrompeu esse processo, mas não eliminou esse projeto de transformação”, avaliou Fidelis.
Citando Jairnilson Paim, Fidelis afirmou que a mesma geração que o autoritarismo tentou silenciar ajudou a construir algumas das principais conquistas democráticas do país. Criou o Centro Brasileiro de Estudos de Saúde (Cebes), impulsionou o Movimento da Reforma Sanitária Brasileira, participou da luta pela Anistia, esteve presente nas greves do ABC, contribuiu para a VIII Conferência Nacional de Saúde, mobilizou-se pelas Diretas Já, participou da Assembleia Nacional Constituinte e conquistou a inclusão do direito universal à saúde na Constituição de 1988, tornando possível a criação do Sistema Único de Saúde (SUS). Como costuma lembrar Jairnilson Paim, foi uma geração que não se entregou.
” Quarenta anos depois da reintegração dos cientistas de Manguinhos, essa história continua a dialogar com o presente. Em um contexto marcado pelo negacionismo científico, pela intolerância, pelo autoritarismo e por ataques às instituições democráticas, a homenagem promovida pela Fiocruz reafirma que a defesa da ciência é inseparável da defesa da democracia”, afirmou.
A memória do Massacre de Manguinhos recorda que a ciência floresce onde há liberdade, que a democracia se fortalece quando protege o conhecimento e que nenhum projeto nacional poderá ser inclusivo, sustentável e soberano sem investimento contínuo em educação, pesquisa, saúde e instituições públicas.
Para Fidelis, “a homenagem prestada pela Fiocruz renovou um compromisso com o futuro: a defesa da ciência, da democracia, da soberania nacional e da vida”
Foto (Peter Illiciev): Carlos Fidelis.


