O “Votómetro”
Rio de janeiro

O “Votómetro”

O "Votómetro" Rio de janeiro

Aurélio Wander*  

 * Jurista, Professor de Direito Constitucional, advogado.  

 A direita e a esquerda já fizeram suas convenções e já apresentaram seus candidatos. Os primeiros, apoiados em Flávio Bolsonaro, um bolsonarista, buscaram no Partido Liberal (PL) e o seu candidato de raiz, no bolsonarismo (um conjunto pessoal de bolsonaristas que ainda não conseguiram formatar uma ideologia). Cogitaram Indicar uma vice (em tese) mulher, mas é difícil encontrar, entre elas, alguém que tenha projeção e identidade ideológica, à direita, pois,  as lideranças femininas, atualmente,  estão mais comprometidas com uma luta identitária.  

 Os petistas estão numa significativa vantagem porque o vice do PT é o próprio vice do presidente Lula. Geraldo Alkmim é um político histórico, de centro, ex- governador de São Paulo, tantas vezes, e que teve a inteligência de se filiar ao Partido Socialista Brasileiro, de centro-esquerda, um dos mais antigos partidos brasileiros, fundado,  oficialmente, em 6 de agosto de 1947, e que teve sua origem ao movimento de Esquerda Democrática, criado em 1945, após o fim do Estado Novo, com a participação das principais lideranças intelectuais da época.  

 Mas o que preocupa nesta eleiçao é o que estaria, analiticamente, sendo desenhado por cada uma das forcas politicas. E que nos daria,  sem a soma de dados quantitativos, o “Votómetro” (palavra que criei em homenagem a Darcy Ribeiro, meu amigo e conterrâneo querido) qualitativo, como indicador digital. 

 O perfil do PT não é difícil de identificar, 

devido às suas clássicas plataformas de foco nos gastos sociais, bolsa familia, preocupação com os idosos, apoio ao movimento feminino, educação e a preservação da defesa nacional ( evitando um discurso sobre segurança nacional), com investimentos em  energia, tecnologia, educação,  cultura e ecologia. 

 Não é de todo impossível uma assimilação do tradicional programa da centro / esquerda.  Lula tem muitos programas de governo   

  O foco na responsabilidade fiscal e uma relativa participação econômica do Estado na economia, evoluindo para a questão do Clima, também estão no programa dos candidatos Lula e Alkmim.  

 As bases programáticas do bolsonarismo, o novo nome do PL, além da proposta de criar um Ministério de Segurança Social, articulada com uma estratégia dos Estados Unidos, são poucas ou inexistentes . O que eles defendem, de acordo com o que propagam nas mídias sociais, é a aproximação com o governo Trump e com os países com governos de direita, além do golpismo . 

 A esquerda globalista tem,  como objetivo, na área de segurança externa, pseguir o  pacto das Nações. Economicamente,  são visíveis as políticas de redução de impostos, a liberdade de investimento, o PT tem programas na área da agricultura, da informática, infraestrutura. 

  A direita radical é bem diferente da direita tradicional. Os bolsonaristas não têm programa de governo.  

 Esse é o dilema. Ou optamos por um programa moderado de governo,  com alianças da esquerda com os conservadores,  ou arriscaremos em um projeto liquidacionista,  anticonstitucional.  

  O “Votómetro” não mede o discurso radical.  Mede propostas de governo . Que o bolsonarismo não tem.