Festival Brasileiro de Teatro de Terreiro reúne personagens fantásticos do imaginário popular brasileiro no terreiro do Fuá de Seu Estrelo.
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Festival Brasileiro de Teatro de Terreiro reúne personagens fantásticos do imaginário popular brasileiro no terreiro do Fuá de Seu Estrelo.

Festival Brasileiro de Teatro de Terreiro reúne personagens fantásticos do imaginário popular brasileiro no terreiro do Fuá de Seu Estrelo. Teatro

A 6ª edição do festival vai juntar mestras e mestres de tradições como a do Cavalo-Marinho, Mamulengo, Bumba-meu-boi, Maracatu com companhias de teatro e circo contemporâneos, no Centro Tradicional de Invenção Cultural, na 813 Sul

Brasília recebe, de 15 a 23 de agosto, a 6ª edição do Festival Brasileiro de Teatro de Terreiro, encontro nacional que reúne artistas, mestras e mestres de diferentes regiões do país em torno de um teatro que nasce do chão, da rua, do quintal, do roçado e das tradições populares. Os ingressos podem ser retirados pelo link na bio do Instagram, no dia anterior à apresentação desejada.

Realizado pelo Seu Estrelo e o Fuá do Terreiro, com fomento do Ministério da Cultura, o festival acontece no Centro Tradicional de Invenção Cultural, na 813 Sul, com apresentações, rodas de conversa e atividades que aproximam teatro, circo, mamulengo, palhaçaria, bois, ritmos tradicionais e a mitologia cerratense. A programação se estende até 29 de agosto, quando a Orquestra Alada Trovão da Mata faz o encerramento no Ilê Axé Oyá Bagan, no Paranoá.

Com artistas vindos de Pernambuco, Ceará e São Paulo, além de representantes do Distrito Federal, a sexta edição afirma o terreiro como espaço cênico, comunitário e sagrado, onde a criação artística se conecta à ancestralidade e à transmissão de saberes. A proposta é deslocar o centro do teatro nacional para o chamado “Brasil profundo”, reconhecendo a inventividade que surge das manifestações populares.

Ao reunir mestres e mestras de tradições como Cavalo-Marinho, Mamulengo, Bumba-Meu-Boi e Maracatu com companhias de teatro e circo contemporâneo, o festival cria um espaço de troca entre diferentes gerações, linguagens e territórios. No centro desse encontro está o terreiro – não como cenário, mas como protagonista e lugar vivo de criação, memória, celebração e continuidade de uma arte ancestral.

Teatro de Terreiro

Entre os nomes nacionais estão Maciel Salú e Lucas dos Prazeres (PE), Mestra Nice Teles (PE), Mestre Manoelzinho Salustiano (PE), Mundu Rodá (SP), Cia. Terreiro Encantado (SP) e Trupe Motim (CE).

Maciel e Lucas trazem para o Centro de Invenção o Abaeté: Uma Celebração Afro-Indígena Brasileira, o encontro de dois quilombos e duas famílias pernambucanas, festejando as heranças africanas e indígenas no Teatro de Terreiro. “Criamos o Abaeté com o intuito de trazer nossas músicas para o teatro. Lucas tem uma ligação muito forte com a cultura de matriz africana e indígena, assim como eu. Eu e Lucas somos dois artistas negros, de dois quilombos. Isso é muito forte dentro do Abaeté, com cantos de Jurema, do Candomblé, aboios, além de composições nossas”, explica Maciel Salustiano.

A Cia. Mundu Rodá vai apresentar uma aula-espetáculo, um espaço vivo de compartilhamento dos processos criativos da companhia. Na ocasião, o grupo também vai lançar o livro O Cavalo-Marinho da Mata Norte de Pernambuco – Da boca da noite até quebrar a barra do dia, publicado pela Editora da Unicamp e escrito por Alício Amaral, Juliana Pardo e Suzi Frankl Sperber.

“A obra é resultado de mais de duas décadas de pesquisa de campo junto aos mestres e brincadores da Zona da Mata Norte de Pernambuco”, afirma Juliana Pardo. “A aula-espetáculo nasce justamente desse percurso, onde nós buscamos mostrar como as tradições cênicas atravessam o nosso fazer artístico, compartilhando com o público, nossos modos de criação de cenas, personagens, máscaras, músicas e corporalidades.”

A programação reúne ainda importantes artistas e grupos do Distrito Federal, como Seu Estrelo e o Fuá do Terreiro, Mamulengo Presepada, de Chico Simões, Cia. Udi Grudi, Orquestra Alada Trovão da Mata, Tamá Freire e Maria Villar.

Chico Simões brinca com teatro de bonecos há 45 anos, e viu, como essa tradição nordestina se tornou também um patrimônio cultural da capital da República. “Aqui em Brasília, desde o início da construção, passavam por aqui bonequeiros e, desde criança, a gente foi vendo esses bonequeiros brincar nas ruas, nas feiras, com seus bonecos ventríloquos, e, mais tarde, nas escolas”, relata Simões, o criador do Mamulengo Presepada. “Hoje, Brasília tem mais de 20 grupos de mamulengo. É um número expressivo de uma brincadeira que é tradição muito no Nordeste, mas que está também agora em Brasília.”

Programação

A abertura, no dia 15 de agosto, às 20h, fica por conta de Maciel Salú e Lucas dos Prazeres, que apresentam Abaeté: Uma Celebração Afro-Indígena Brasileira. No dia seguinte, o Mamulengo Presepada apresenta O Romance do Vaqueiro Benedito, às 18h, seguido por Catirina, Samarica e a Velha, de Mestra Nice Teles, às 20h.

A programação segue explorando diferentes formas de criação popular. O grupo Mundu Rodá promove, no dia 17, uma aula-espetáculo com lançamento de livro e, no dia 18, apresenta A Donzela Guerreira. No dia 19, a Trupe Motim leva ao festival O Velho Relojoeiro e as Voltas do Tempo. Já no dia 20, uma roda de conversa reúne Mestre Manoelzinho Salustiano, Mestra Tamá Freire e Maria Villar para discutir a figurinagem popular, colocando em contato diferentes gerações e territórios de criação.

O Seu Estrelo e o Fuá do Terreiro ocupa a programação em dois momentos. No dia 21, o grupo apresenta a 4ª Roda, O Amor é um Rio sem Margem. No dia 22, é a vez da 7ª Roda, No Reinado do Vice-Versa ou O Funeral da Saudade, criação que amplia a mitologia do Calango Voador e apresenta 14 novas figuras ao universo fantástico desenvolvido pelo grupo.

No último dia da programação principal, 23 de agosto, a Cia. Udi Grudi apresenta Udi Grudi em Conserto, às 18h, seguida por O Auto do Negrinho, da Cia. Terreiro Encantado, às 20h. O encerramento acontece no sábado seguinte, 29 de agosto, às 20h, quando a Orquestra Alada Trovão da Mata leva sua roda ao Ilê Axé Oyá Bagan, no Paranoá. A mudança de território reforça uma das premissas do festival: fazer da circulação entre diferentes espaços de Brasília também uma forma de encontro, reconhecimento e construção comunitária.

Teatro Cerratense

Um Teatro Cerratense, conceito desenvolvido pelo Seu Estrelo a partir da invenção de uma mitologia própria para Brasília, é um dos eixos desta edição. A capital aparece não apenas como centro administrativo, mas como território de encantamento, povoado por seres fantásticos, histórias e personagens que nascem do encontro entre a cultura popular e as experiências de quem vive e cria na cidade.

O Mestre do Seu Estrelo, Tico Magalhães, reforça que o Festival Brasileiro de Teatro de Terreiro foi criado para as feituras dramatúrgicas do povo brasileiro. “São teatros que têm a cultura popular como um território sagrado e que, por meio de seus fazeres, dão continuidade a essa arte milenar e ancestral. A programação de 2026 está cheia, repleta, incrementada de apresentações locais e nacionais, com grupos e artistas que são referência dentro dessa feitura anunciosa, brincante e sonhosa, chamada Teatro Popular”, assinala o mestre.

A 6ª edição do Festival Brasileiro de Teatro de Terreiro é uma realização do Seu Estrelo e o Fuá do Terreiro e do Instituto Tradicional de Invenção Cultural, com fomento do Ministério da Cultura.

Programação completa:

15 de agosto (sábado) – 20h

Maciel Salú e Lucas dos Prazeres (PE)

Abaeté: Uma Celebração Afro-Indígena Brasileira

16 de agosto (domingo) – 18h

Mamulengo Presepada (DF)

O Romance do Vaqueiro Benedito

16 de agosto (domingo) – 20h

Mestra Nice Teles (PE)

Catirina, Samarica e a Velha

17 de agosto (segunda-feira) – 19h

Mundu Rodá (SP)

Aula-espetáculo e lançamento de livro

18 de agosto (terça-feira) – 20h

Mundu Rodá (SP)

A Donzela Guerreira

19 de agosto (quarta-feira) – 20h

Trupe Motim (CE)

O Velho Relojoeiro e as Voltas do Tempo

20 de agosto (quinta-feira) – 19h

Roda de Conversa: Figurinagem Popular

Mestre Manoelzinho Salustiano (PE), Mestra Tamá Freire (DF) e Maria Villar (DF)

21 de agosto (sexta-feira) – 20h

Seu Estrelo e o Fuá do Terreiro

4ª Roda ou O Amor é um Rio sem Margem

22 de agosto (sábado) – 20h

Seu Estrelo e o Fuá do Terreiro

7ª Roda: No Reinado do Vice-Versa ou O Funeral da Saudade

23 de agosto (domingo) – 18h

Cia. Udi Grudi (DF)

Udi Grudi em Conserto

23 de agosto (domingo) – 20h

Cia. Terreiro Encantado (SP)

O Auto do Negrinho

29 de agosto (sábado) – 20h

Orquestra Alada Trovão da Mata

Ilê Axé Oyá Bagan – Paranoá/DF

SERVIÇO – 6º Festival Brasileiro de Teatro de Terreiro

Quando: de 15 a 23 de agosto de 2026, com encerramento especial em 29 de agosto

Onde: Centro Tradicional de Invenção Cultural – SEPS 813 Sul, Brasília/DF

Encerramento: Ilê Axé Oyá Bagan – Paranoá/DF

Gratuito, com retirada de ingresso no dia anterior

Instagram: https://www.instagram.com/seuestrelo/