No mês do combate ao Câncer, especialista fala sobre os cuidados com o coração durante e depois do processo de quimioterapia e radioterapia
O mês de fevereiro é lembrado mundialmente pela luta contra o câncer, em uma iniciativa global, organizada pela União Internacional para o Controle do Câncer (UICC), com o apoio da Organização Mundial da Saúde (OMS). O objetivo dessa ação é aumentar a conscientização e a educação mundial sobre a doença, além de influenciar governos e indivíduos para que se mobilizem pelo controle do câncer. Isso é levado em consideração, pois só no ano de 2020, de acordo com Global Cancer Statistics, no Brasil, o número de mortes por câncer foi de aproximadamente 260.000 pessoas. Os tipos de câncer mais frequentes foram os de próstata, mama, colorretal e pulmão.
Infelizmente, por consequência da doença, outras áreas do organismo também podem ser afetadas por diferentes patologias, sobre as quais, muitas vezes, não é dada a devida atenção, como por exemplo, o coração. De acordo com o cardiologista intervencionista Ernesto Osterne, do ICTCor – Instituto do Coração de Taguatinga, alguns remédios utilizados nos tratamentos quimioterápicos podem trazer diversos problemas para o funcionamento do coração, além de causar insuficiência cardíaca. Segundo Osterne, alguns problemas podem surgir com o uso de medicações, como os anticorpos monoclonais, que são utilizados normalmente no tratamento do câncer de mama, intestino e pulmão. Ou até mesmo, medicações como antraciclinas e inibidores de tirosina-quinase, que podem afetar o coração.
“Existem medicações que foram desenvolvidas há mais tempo, e que podem causar algum tipo de problema no coração. Um exemplo são os antracíclicos, aplicados durante a radioterapia e que podem causar insuficiência cardíaca, arritmias, hipertensão arterial, hipotensão arterial (pressão baixa), ou algum tipo de doença das válvulas do coração”, explica o cardiologista. O médico conta que, apesar do tratamento ser crucial no combate à doença, é importante manter atenção aos cuidados e prevenção de outros problemas que podem surgir por consequência das medicações.
Prevenção e cuidados
De acordo, ainda, com Osterne, a recomendação é que o paciente faça uma avaliação médica, bem como a realização de exames que possam verificar se existe algum tipo de inchaço, e se o paciente apresenta sinais de anemia, já que muitas vezes, isso pode aumentar os problemas do coração. “O paciente também pode realizar exames mais simples, como o Raio X de tórax, eletrocardiograma, ecocardiograma ou ultrassom do coração. Assim, é possível identificar se há o crescimento do coração ou falha na quantidade de sangue que o coração deveria bombear ou enviar para o restante do corpo”, explica Osterne. O cardiologista ressalta ainda que os cuidados com a alimentação não podem ser deixados de lado. Adotar hábitos saudáveis e evitar a exposição aos fatores de risco são maneiras de prevenir o câncer e outras doenças cardiovasculares, respiratórias crônicas, renais e diabetes.
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