A nova proteção aos honorários advocatícios: por que a Lei nº 15.472/2026 fortalece a advocacia
Rio de janeiro

A nova proteção aos honorários advocatícios: por que a Lei nº 15.472/2026 fortalece a advocacia

A nova proteção aos honorários advocatícios: por que a Lei nº 15.472/2026 fortalece a advocacia Rio de janeiro

Por William Rocha* 

  * Sócio do escritório Terra Rocha Advogados, Diretor de Inclusão Digital e Inovação da OAB-RJ. 

 É importante fazer uma observação inicial: o texto apresentado refere-se, na verdade, à Lei nº 15.472, de 21 de julho de 2026, e não à Lei nº 15.109/2025. Enquanto a Lei nº 15.109/2025 dispensou o advogado do adiantamento de custas processuais em ações de cobrança e execução de honorários, a Lei nº 15.472/2026 deu um passo além, ao explicitar, no Estatuto da Advocacia, a natureza alimentar dos honorários advocatícios e o tratamento privilegiado desses créditos.  

 A advocacia exerce função indispensável à administração da Justiça, conforme estabelece a Constituição Federal. Entretanto, durante muito tempo, embora a jurisprudência já reconhecesse a natureza alimentar dos honorários, ainda havia discussões práticas sobre a extensão dessa proteção em concursos de credores, recuperações judiciais, falências e demais hipóteses de satisfação de créditos. 

 A nova legislação confere maior segurança jurídica ao inserir expressamente no Estatuto da Advocacia que os honorários, sejam contratuais, sucumbenciais ou arbitrados judicialmente, possuem natureza alimentar e gozam dos mesmos privilégios dos créditos oriundos da legislação trabalhista, assegurando tratamento privilegiado nas diversas modalidades de concurso de credores.  

 Na prática, a alteração representa um fortalecimento da independência profissional do advogado. O honorário deixa de ser visto apenas como consequência financeira do processo para ser reafirmado como a legítima remuneração pelo trabalho técnico desenvolvido na defesa de direitos fundamentais, interesses patrimoniais e garantias constitucionais. 

 Os reflexos são relevantes para toda a advocacia. Em processos de insolvência, recuperação judicial, liquidação extrajudicial e falência, a previsão legal reduz espaços para interpretações divergentes e reforça a prioridade conferida ao crédito honorário. Além disso, a alteração prestigia a previsibilidade das relações jurídicas e contribui para maior efetividade na recuperação de valores legitimamente devidos ao profissional. 

Essa mudança também possui importante dimensão institucional. Valorizar os honorários significa reconhecer que o exercício da advocacia depende de condições mínimas para que o profissional atue com autonomia, independência e dedicação exclusiva à defesa dos interesses de seus clientes. 

 Ao lado da recente Lei nº 15.109/2025, que dispensou o advogado do adiantamento de custas em ações de cobrança e execuções de honorários, percebe-se um movimento legislativo consistente de fortalecimento das prerrogativas profissionais e da efetividade da remuneração advocatícia.  

 Mais do que proteger um crédito, a Lei nº 15.472/2026 ampara a própria advocacia. Afinal, por trás de cada honorário existe muito mais do que uma remuneração: há tempo de formação (anos e décadas), de responsabilidade técnica, de dedicação profissional e o compromisso permanente com a concretização da Justiça e do Estado Democrático de Direito.