No turismo de luxo, especialista aponta como a comunicação que inspira como a de Silvia Braz se diferencia da que viraliza, caso de Virgínia Fonseca
Nos últimos anos, o marketing de influência se tornou uma das principais ferramentas de construção de marca no turismo. No entanto, quando o assunto é turismo de luxo, esse universo exige um olhar mais refinado, já que o comportamento e as referências do público de alta renda são muito diferentes entre si.
De acordo com Ana Paula Pappa, especialista em marketing para turismo de luxo e fundadora da agência Eleganza Comunica, é preciso compreender as nuances entre os que conquistaram riqueza recentemente e os nascidos em famílias da elite. “Ambos têm poder de compra, mas consomem de maneiras completamente distintas. Um busca status e visibilidade como forma de autoafirmação, enquanto o outro valoriza discrição e legado”, explica.
A diferença pode ser observada também no universo digital. Enquanto influenciadoras como Virgínia Fonseca representam a ascensão de um público que associa luxo à conquista e visibilidade, nomes como Silvia Braz dialogam com uma audiência que já nasceu inserida em contextos de sofisticação e tradição.
O primeiro tipo de influência é movido pelo desejo de alcançar; o segundo, pela identificação. Ambas têm relevância, mas operam em esferas completamente distintas e compreender isso é essencial para comunicar com autenticidade dentro do turismo de luxo.
O marketing de influência tem grande impacto sobre o público que ascendeu financeiramente nos últimos anos. São pessoas conectadas, que consomem referências de lifestyle e buscam vivenciar o luxo como uma conquista. Nesse contexto, os influenciadores de viagem e lifestyle desempenham um papel importante ao traduzir destinos, experiências e marcas de forma aspiracional. Dubai, por exemplo, segue sendo um símbolo de exuberância e grandiosidade, com experiências que estimulam o desejo pelo extraordinário.
Já o público que vivencia o luxo de forma geracional tende a valorizar o silêncio, a privacidade e a exclusividade genuína. A influência, nesse caso, não acontece nas redes e, muitas vezes, nem poderia, já que boa parte desses clientes sequer tem perfis em redes sociais. As escolhas deles se baseiam em relações de confiança, indicações pessoais e marcas com reputação consolidada. “Muitos desses clientes não seguem influenciadores. Eles confiam nas recomendações de pessoas próximas, consultores e empresas que já provaram seu valor ao longo do tempo.”, conta Ana Paula.
Nesse cenário, o papel do consultor e das marcas é atuar como curadores de experiências: profissionais e empresas capazes de compreender o estilo de vida, as preferências e os valores de cada cliente, oferecendo vivências sob medida.
Mais do que sugerir destinos, esses especialistas criam memórias personalizadas, onde cada detalhe comunica sofisticação, cuidado e propósito.
Enquanto o marketing de influência tradicional busca alcance e números, o turismo de luxo se sustenta em autoridade, credibilidade e coerência.
Para conquistar o viajante de alta renda, é preciso inspirar sem precisar se exibir, traduzindo o luxo com sutileza e autenticidade. “O desafio é inspirar sem precisar gritar. A influência, no luxo, é silenciosa, mas extremamente poderosa”, conclui Ana Paula. Crédito: Getty Images/iStockphoto

