Com raízes profundas entre o Bairro de Olinda, em Nilópolis, e a Vila Cruzeiro, na Penha, o Chef Vladimir Reis é um exemplo vivo de talento, resistência e propósito. Sua jornada até o universo da gastronomia não foi fácil, forjada com suor, sonhos e muita criatividade. Para pagar seus cursos e garantir a própria formação, Vladimir vendia quadros nas ruas de Santa Teresa, carregando nas mãos não só as tintas, mas a esperança de um futuro brilhante.
Foi nesse bairro encantador do Rio de Janeiro, entre ladeiras e histórias, que surgiu a sua primeira chance de atuar em uma cozinha profissional, através de um convite de um amigo que mudou para sempre o curso da sua vida. O que parecia um passo temporário rapidamente se transformou em paixão, em missão de vida. Ali, em Santa Teresa, Vladimir não apenas encontrou um trabalho, mas um lar e a oportunidade de se aprofundar no mundo dos sabores.
O início
Com mais de 20 anos dedicados à Culinária, Vladimir coleciona experiências que atravessam continentes e tradições, da culinária francesa à brasileira, da asiática à contemporânea. A passagem pela vibrante cena gastronômica de Singapura foi um divisor de águas, onde ele se especializou na técnica do Dim Sum, tornando-se referência dessa iguaria ao comandar um restaurante de sucesso no Rio de Janeiro, o Dim Sum Rio.
“Comecei pintando e vendendo quadros. Foi com essa renda que paguei meu curso. Quando me formei, eu sabia que Santa Teresa seria o lugar onde as portas se abriram. Ali começou minha verdadeira história na cozinha”, revela o chef nilopolitano.
Sua atuação vai muito além do fogão. Durante a pandemia, Chef Vladimir se tornou um verdadeiro líder comunitário, ampliando seu protagonismo para defender e apoiar cozinheiros negros das comunidades, organizando redes de solidariedade que garantiram dignidade e renda a trabalhadores muitas vezes invisíveis. Ao mesmo tempo, fortaleceu a agricultura familiar em Japeri, valorizando pequenos produtores orgânicos e seu impacto social.
Hoje, Chef Vladimir Reis é muito mais do que um nome na gastronomia carioca. É símbolo de ancestralidade, justiça social e resistência. Um homem que, com as mãos no fogo e o coração aberto, transforma ingredientes em histórias e sonhos em realidade.