Dos jovens da geração Z aos baby Boomer com mais de 60 anos: enquanto para muitos a diferença de idade pode significar conflitos geracionais, incorporadora FGR, em Goiás, mantém quatro grupos geracionais diferentes em suas equipes
Embora muito se fale ultimamente sobre a diferença entre gerações, essa discussão acontece há séculos, sendo um processo natural na humanidade. Ao longo da história, a evolução do conhecimento vem gerando mudanças de pensamento e de costumes. Mas essas mudanças comportamentais que, em muitos casos, geram conflitos.
De acordo com o último Relatório GPTW – Tendências em Gestão de Pessoas 2026, divulgado em fevereiro último, 56,2% das empresas participantes do levantamento apontaram dificuldades em lidar com as diferentes gerações no ambiente de trabalho. Em 2024, quando a consultoria da GPTW passou a mapear o tema, 51,6% das empresas afirmaram ter dificuldades com a gestão de conflitos geracionais.
Mas, se as diferenças entre as gerações são esperadas e inevitáveis, por que resistir a elas? Enquanto para muitas empresas tem dificuldades em manter em seu quadro de colaboradores das gerações Y (de 30 a 44 anos), X (45 a 60 anos), Z (de 15 a 29 anos) e os Baby Boomer (61 a 79 anos), uma empresa goiana vem desenvolvendo uma política que estimula esta mistura, com intenção de extrair o melhor de cada geração.
“Atuamos para integrar diferentes perfis por meio do desenvolvimento de lideranças, programas de capacitação e fortalecimento da cultura organizacional. Nosso foco é criar um ambiente colaborativo, onde experiência e inovação se complementam”, explica Rafael Carlos Gonçalves, especialista em gestão de pessoas e coordenador da área de Recursos Humanos da FGR Incorporações, uma das maiores do Centro-Oeste, com quase mil colaboradores diretos.
Rafael Carlos aponta como a principal vantagem de se ter uma equipe formada por diferentes gerações a complementaridade de competências e perspectivas. “Profissionais mais jovens tendem a trazer energia, visão atualizada, maior familiaridade com as novas tecnologias e abertura para inovação, contribuindo com novas formas de pensar e executar. Já por outro lado, os profissionais mais experientes agregam maturidade, visão prática, capacidade de gestão sob pressão e profundo conhecimento do negócio, sendo fundamentais para a tomada de decisão e formação de novos talentos”, esclarece.
Para o especialista, “quando bem integradas, essas diferentes gerações potencializam os resultados da empresa, promovendo um ambiente mais inovador, equilibrado e preparado para os desafios do presente e do futuro”. A empresa conta atualmente com quase mil colaboradores, cuja média de idade é de 33 anos.
Com a palavra, os jovens
Prestes a completar um ano como colaboradora efetiva da FGR, no próximo mês de maio, a assistente financeira Ruth Raianny dos Santos, de 29 anos, afirma que trabalhar com pessoas de diferentes gerações, em especial as mais experientes, é sempre uma experiência muito gratificante. “Nesses colegas que têm mais experiência de empresa e de vida, eu admiro especialmente o poder de resiliência deles e a paciência. Percebo que se estão a tanto tempo na empresa e ainda prestando um excelente serviço não é à toa”, afirma.
Com 26 anos de idade e quase três anos e meio trabalhando como analista financeira no Departamento Financeiro da FGR, Larissa Emanuele Silva Rodrigues avalia como extremamente enriquecedora a convivência com colegas de diferentes gerações no trabalho.
Ela percebe que, além de ensinar, também estão sempre abertos a aprender. “Às vezes você tem aquela ideia de que aqueles seus colegas mais antigos e com mais experiência acham que sempre sabem mais do que os mais novos, mas aqui na FGR não temos isso, o que há sempre é essa troca de experiências e de conhecimento”, diz.
Com a palavra, os experientes
Dos 66 anos de vida da contadora Hilda Martins, 40 foram dedicados à FGR, empresa onde segue trabalhando com muito orgulho em ser uma das mais antigas entre os mais de 980 colaboradores da empresa. Ela conta que começou a trabalhar para a incorporadora já durante a sua criação e hoje ocupa o cargo de gerente administrativo e financeiro.
“Para mim, essa interação com pessoas de outra geração, é uma troca maravilhosa. Tenho 66 anos, mas aprendo demais com esses jovens com quem eu convivo na empresa. E ao mesmo tempo, como pessoa experiente na empresa e na vida, tento passar essa confiança que a empresa nos inspirou a ter, mesmo frente às dificuldades que surgem”, afirma Hilda.
Trabalhando na FGR há 38 anos, o veterano Sérgio Pereira da Silva conta que vira e mexe encontra jovens colegas de trabalho que se espantam com o tempo de empresa que tem, que não raramente é maior que anos de vida deles. “Quando eu falo que tenho 38 anos de empresa, e muitos me respondem “nossa, eu tenho 25 anos de idade” ou então dizem ‘meu Deus eu tenho 35 anos de idade, e você já estava trabalhando aqui’”, relata.
Mas para o veterano, a relação com coletas de trabalhos de outras gerações é sempre tranquila, principalmente quando há um ingrediente básico, segundo ele: respeito. “Acredito que os jovens que estão entrando, que vêem a história que você teve na empresa, que você ajudou a construir, ele te respeita.
E nós, mais experientes, respeitamos da mesma maneira esse jovem. Inclusive, acho que isso é o diferencial da FGR: o respeito, tanto de quem está entrando, quanto de quem está na empresa há vários anos. É algo que vem desde os sócios-fundadores, passa pelos diretores, gerentes, coordenadores até a função mais básica”, afirma Sérgio.


