Henrique Pinheiro tinha vinte anos quando entrou na Corretora Laureano, uma das maiores do Rio de Janeiro, em 1979, em plena ditadura militar. Pouco tempo depois, a empresa foi incorporada pela Coroa-Brastel. Ali, ele testemunhou o maior escândalo financeiro, na reta final da ditadura militar.
Com 45 anos no mercado financeiro brasileiro e internacional e passagens por Merrill Lynch, Wells Fargo, o economista é, atualmente, sócio da Bolton Global Capital, em Miami.
Seu livro, Crônicas de um Mercado sem Pudor mergulha em episódios que o Brasil preferiu esquecer, como a quebra da Coroa-Brastel, em 1982. ” Conto detalhes sobre esse caso da Coroa-Brastel, falo de ministros ( Delfim Neto, Ernane Galvêas, entre outros) do presidente do Banco Central ( Carlos Langoni)e parlamentares protegidos pela imunidade e um processo que atravessou anos até chegar ao Supremo. No fim, todos absolvidos, com exceção do controlador da financeira, Assis Paim ( 1928- 2008). Já os 35 mil investidores ficaram com o prejuízo, equivalente hoje a cerca de 20 bilhões de reais.Mudam os nomes, a lógica permanece. Ontem Coroa-Brastel. Hoje Banco Master. Produtos vendidos sem transparência, riscos escondidos atrás de jargões técnicos e uma estrutura que quase sempre socializa prejuízos enquanto protege os de cima”- afirma Henrique Pinheiro. O livro não fala apenas de dinheiro. “Em capítulos dedicados a Jorginho Guinle e Baby Pignatari Monteiro de Carvalho, personagens que conheci nos tempos do Banco Boavista, anos 90, aparecem histórias de poder, relações pessoais e privilégios que ajudam a explicar como certas dívidas desaparecem dependendo de quem as contrai”- diz o autor.
O lançamento digital será em setembro pela Amazon. A edição impressa está prevista para janeiro de 2027.
A capa e a contracapa do livro são de autoria da arquiteta e designer Clara Gueiros.
Foto ( Clara Gueiros): Capa do livro.


