No dia 22 de agosto deste ano, a família e amigos de Juscelino Kubitschek vão lembrar, em homenagem que acontecerá em Brasília, dos 50 anos da morte do ex-presidente.
Produtor executivo do documentário Terra Revolta-João Pinheiro Neto e a Reforma Agrária, autor de Crônicas de um Mercado sem Pudor, o economista Henrique Pinheiro, cronista da história brasileira, afirma que o “reconhecimento oficial do assassinato de Juscelino Kubitschek, pela Comissão sobre Mortos e Desaparecidos Políticos, em relatório publicado no dia 26 de maio, reabre uma das páginas mais obscuras da história brasileira e impõe ao país o dever de buscar toda a verdade”.
Amigo de seus pais, João Pinheiro Neto e sua esposa, Leda Pinheiro, também nascidos em Minas Gerais, Juscelino Kubitschek foi encontrado morto em agosto de 1976, no Km 165 da Via Dutra. O ex-presidente estava no Opala conduzido pelo motorista e amigo Geraldo Ribeiro.
Os trabalhos da Comissão sobre Mortos e Desaparecidos Políticos (CEMDP) tinham sido encerrados em 2022, no governo Bolsonaro. E, foram reabertos no terceiro governo Lula. Em 2025, a comissão decidiu voltar a investigar o caso da morte de Juscelino.
Ouviu parentes e amigos, entre eles o fiel amigo do ex- presidente, Serafim Jardim, que está, atualmente, com 90 anos e é diretor da Casa de Juscelino, em Diamantina.
” Após quase cinquenta anos de dúvidas, investigações e silêncio, o Estado brasileiro reconhece que Juscelino Kubitschek não morreu em um simples acidente de automóvel. A pergunta que surge agora é inevitável: e agora, Brasil? As reportagens publicadas, recentemente, com a decisão da Comissão Especial sobre Mortos e Desaparecidos Políticos, mostram um marco histórico. Pela primeira vez, uma instância oficial do Estado brasileiro conclui que a morte de Juscelino Kubitschek de Oliveira (1902-1976) foi resultado de violência política durante o regime militar “- disse Henrique Pinheiro.
” As dúvidas sempre estiveram presentes.A rapidez com que a cena foi desmontada, as falhas na investigação, o desaparecimento de evidências e as inúmeras contradições do caso alimentaram suspeitas desde o primeiro momento. O fiel motorista de JK, Geraldo Ribeiro, segundo relatos posteriores, chegou a comentar que percebia algo diferente no veículo antes da viagem. O alerta jamais foi devidamente esclarecido. Mas a morte de JK não pode ser analisada isoladamente, para compreender sua dimensão política, é preciso voltar a 28 de outubro de 1966, data da criação da Frente Ampla. O movimento reuniu três figuras centrais da política brasileira: Juscelino Kubitschek, João Goulart e Carlos Lacerda. Poucas alianças causaram tanto temor ao regime militar “- afirmou o economista.
De acordo com Henrique Pinheiro, “JK morreu em 22 de agosto de 1976, João Goulart morreu no exílio argentino em 6 de dezembro de 1976, em 2013, a presidente Dilma Rousseff determinou a exumação dos restos mortais de Jango na tentativa de esclarecer as suspeitas de envenenamento. Quase quarenta anos tinham se passado. O tempo destruiu vestígios fundamentais. O laudo não conseguiu comprovar o assassinato, mas também não conseguiu descartá-lo. Em 21 de maio de 1977, Carlos Lacerda morreu aos 63 anos. Em menos de nove meses, os três líderes da Frente Ampla desapareceram da vida política brasileira”
” Quem ordenou? Quem executou? Quem encobriu? Quem destruiu provas? Quem trabalhou durante décadas para que a verdade não viesse à tona? Essas perguntas não pertencem apenas à família Kubitschek. Pertencem ao Brasil”- concluiu o produtor de cinema.




