Artista, fotógrafo e curador brasileiro desembarca em Nova Délhi com exposição internacional apoiada pelo Itamaraty e pela Embaixada do Brasil na Índia
Por Miriam Germano
Após participar da pré-abertura da Bienal de Veneza, o artista, fotógrafo e curador brasileiro Paulo Melo desembarca em Nova Délhi levando consigo a exposição Around The World, mostra que sintetiza décadas de produção visual atravessada por viagens, fotografia, memória e experimentação estética. A exposição será realizada entre os dias 28 de maio e 4 de junho, sob curadoria da Embaixada do Brasil em Nova Délhi, com apoio institucional do Itamaraty.
Fundador da revista BSB People em 2001, Paulo Melo construiu uma trajetória singular no cenário cultural brasileiro ao unir comunicação, fotografia autoral, curadoria e artes visuais. Natural de Fortaleza e radicado em Brasília, o artista iniciou sua trajetória nas artes em meados da década de 1990, após receber reconhecimento no tradicional Prêmio Fotográfico Kodak — marco que redefiniu sua relação com a imagem e ampliou sua atuação internacional.
Ao longo de quatro décadas de viagens pelo Brasil, Europa, Ásia, África e América Latina, Paulo Melo reuniu um vasto acervo fotográfico que posteriormente seria transformado em linguagem pictórica através da técnica Fine Art Painting (FAP), desenvolvida pelo próprio artista. O processo combina fotografia, manipulação digital, pintura manual em acrílica e óleo, dissolvendo os limites entre documento, imaginação e pintura contemporânea.
A exposição Around The World tornou-se uma espécie de cartografia afetiva do artista — uma travessia visual entre culturas, espiritualidades e arquiteturas simbólicas do mundo contemporâneo. Em obras inspiradas pela Índia, Nepal, Veneza, Brasil e Camarões, Paulo Melo transforma paisagens reais em atmosferas quase oníricas, onde memória e imaginação coexistem como linguagem universal.
A chegada do artista a Nova Délhi ocorre em um momento de fortalecimento do intercâmbio cultural entre Brasil e Índia. A presença de Paulo Melo no circuito internacional amplia o alcance da produção artística brasileira contemporânea em espaços diplomáticos e institucionais estratégicos, aproximando arte, cultura e relações internacionais através da sensibilidade visual.
Mais do que uma itinerância expositiva, a passagem pela Índia representa uma continuidade do diálogo iniciado em Veneza — cidade que historicamente se consolidou como um dos principais centros simbólicos da arte mundial. Entre Veneza e Nova Délhi, Paulo Melo constrói um percurso que conecta continentes por meio da imagem, reafirmando a arte brasileira como território de memória, diversidade e transcendência estética.


