As maldições e os milagres
Rio de janeiro

As maldições e os milagres

As maldições e os milagres Rio de janeiro
* Aurélio Wander Bastos
*Aurélio Wander Bastos é advogado, cientista político  e  professor emérito da Universidade Federal- Unirio.
A pandemia, palavra de origem grega, foi usada pela primeira vez por Platão com um sentido genérico. O milagre, na tradição cristã, é a negação da maldição.
Na mitologia grega, todavia, de onde evoluiu a cultura ocidental e a referência argumentativa do cristianismo, com Platão e Aristóteles, os deuses pagãos não fazem milagres, eles são a pandemia da reação cristã medieval ao paganismo.
Para os deuses pagãos, a maldição (pagã) é a regra, não em função do Direito, uma conversão da negação humana da sanção (ou pena), enquanto punição da conduta refutada pelo Olimpo.
De acordo com Hesíodo, poeta oral que contou a história grega, quem usou a palavra pandemia, pela primeira vez, foi Platão. A pandemia não é propriamente uma conduta. É a expansão de uma peste. Uma maldição dos deuses. Que evolui da invisibilidade de um vírus. E que, se não mata, adoece, ou provoca o terror e o medo.
Para essa fase ainda obscura da história do pensamento, o destino, enquanto realização da ira dos deuses, nem sempre é caridoso com aqueles que, pela doença, pela humildade, ou pelo amor traído, sobre eles descarregam sua vontade ou seu ódio-a maldição. O milagre não é a linguagem pagã. Os milagres são atos próprios dos messias e apóstolos cristãos.
 Na antiguidade, a Deusa Moira, uma das filhas de Nix, a Noite, era misteriosa, indecifrável, uma divindade mais antiga, poderosa, incontestável nas suas decisões. Nem mesmo a própria Temis a contrariava.  Acreditava que as fatalidades e os sofrimentos eram inevitáveis. Uma regra inviolável da vida.
A tragédia nasceu no contexto dessas duas razões.Em época de pandemia, por causa do Covid-19, é importante entender melhor sobre a mitologia grega, o cristianismo, as maldições e os milagres da humanidade, desde os primórdios da civilização.

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