No período de eleição, acompanhar agendas dos candidatos e ouvir propostas pode revelar boas surpresas. Ainda mais de esses encontros e depoimentos vierem de velhos parceiros, companheiros de lutas e ideais. Nessa vertente que vem sendo emoldura a campanha o candidato à vereador Jorge Freire, em reunião neste domingo, no consagrado Criolice, em Madureira.

A mesa foi composta pelo candidato à Prefeitura do Rio, Eduardo Paes, do candidato Vereador Jorge Freire, do Prof. Dr. Babalawô Ivanir dos Santos e o Deputado Federal Marcelo Calero.

Calero abriu as apresentações. “Freire foi Gerente de Teatro e brilhou nessa função. Não apenas pelo seu exercício e pelas suas atribuições regulares, mas pelo fato da interlocução com a classe cultural do Rio de Janeiro. Falar do Jorge pra mim é uma uma motivação muito especial. É um cara em que confio, é um cara que sempre esteve me apoiando, é um cara que tem uma formação brilhante, de uma sensibilidade e competência técnica”, alegou o Calero

O Prof. Dr. Babalawô Ivanir dos Santos, militante de longa data, fez uma crítica construtiva em sua fala, cobrando mais representatividade. “O cenário político hoje, internacionalmente os negros explanam o empoderamento, observem o que acontece nos Estados Unidos, o que aconteceu na Europa e como isso reflete aqui no Brasil. Como o Manifesto da Diversidade Carioca – movimento que propôs no ano passado a criação e um coletivo político que incluísse pretos na formulação e na liderança de projetos para o Rio de Janeiro. É preciso dar voz e espaços para essas lideranças negras, que hoje são capazes e competentes em todas as esferas, mais representação no executivo e legislativo municipal”.

Em resposta, o candidato Eduardo Paes alegou: “Está vindo nessa formação do governo, sobre diferentes temas da cidade, já está acontecendo. Então, isso força, e eu vou fazer, assumir esse compromisso, já é uma coisa que eu vinha tratando durante o processo eleitoral, portanto, eu só posso concordar com você nesse aspecto, a gente tem essa coisa da representação política mesmo, ela tem que se dar, ela tem que ser feito”.

As práticas culturais oriundas na maioria das vezes dos territórios populares e periféricos vêm, há cerca de anos, revelando o quanto são importantes nas cenas culturais da cidade, tendo incitado a criação de políticas específicas para o seu desenvolvimento. E é essa base que precisa ter prioridade, aliás, expectativas de muitos grupos.

Eduardo Paes marca presença em Madureira, encontro de apoio a candidatura de Jorge Freire para Vereador, junto ao Deputado Federal Marcelo Calero e Professor Ivanir dos Santos

“Venho de forma concreta, respeitosa e digna, dar crédito e honra à pessoas que vem entregando o seu melhor pra essa cidade há anos, antes, o Marcelo (Calero) entregou o melhor dele à essa cidade, e foi um bom retorno. E eu entrego o meu melhor dentro da minha profissão, que é produtor cultural, depois de virar, gestor público, eu venho entregando e mudando, impactando o território de forma efetiva a quinze anos”. Atestou Freire

Conhecedor e atuante no segmento artístico, Vander de Araújo, Gestor Cultural e cicerone do encontro afirmou: “Isso aqui é reação afirmativa, compromisso com o povo preto, identidade e realidade. Que aliás, compõe a candidatura do Jorge Freire”

O encontro foi para um grupo seleto, tomados todos os cuidados, na prevenção com a pandemia do corona, todos com máscaras e respeitando o distanciamento sugerido. Grupo composto por lideranças culturas, como Marcelo dos Santos, do Centro de Articulação de Populações Marginalizadas, Rodrigo Nunes da CIA de Aruanda, Mara Ribeiro do Fórum de Mulheres Negras, Alaíde do Movimento de Mulheres Sambistas, entre outros, assim como, devidamente prestigiado pela mãe Jacira da Silva Freire.

“O encontro hoje foi super produtivo porque a gente conseguiu trazer para o candidato Eduardo Paes, a importância de vereadores e candidaturas negras, de homens negros. Nas últimas gestões, tivemos pouquíssima representatividade negra. E Jorge é nossa cara, é jovem, veio de Queimado, e é da cultura”, ponderou Antônio Consciência, do Baile Black Bom.

Foto de Dudu Maneh