Fraudes envolvendo consignados e falsas ofertas de crédito estão entre os problemas mais frequentes enfrentados por beneficiários do INSS
Uma ligação oferecendo dinheiro fácil. Um desconto que aparece sem explicação no benefício. Uma mensagem pedindo confirmação de dados em nome do banco ou do INSS. Situações como essas têm se tornado cada vez mais comuns na rotina de aposentados e pensionistas, que frequentemente figuram entre os principais alvos de golpes financeiros.
Segundo o advogado previdenciarista Jefferson Maleski, do escritório Celso Cândido de Souza Advogados, um dos problemas mais recorrentes é o surgimento de empréstimos consignados que jamais foram contratados pelo beneficiário.
“Nesses casos, a pessoa descobre o problema ao conferir o extrato e perceber um desconto mensal referente a um contrato que nunca assinou”, explica. Também são comuns situações envolvendo cartões de crédito consignados oferecidos como se fossem empréstimos convencionais. O aposentado acredita estar contratando uma operação com parcelas e prazo definidos, mas acaba vinculado a uma modalidade de crédito que pode se arrastar por anos.
As tentativas de fraude também chegam por telefone e aplicativos de mensagens. Criminosos costumam se passar por representantes de bancos ou do próprio INSS para solicitar informações pessoais, senhas ou códigos enviados por SMS. “O aposentado nunca deve fornecer esse tipo de dado por telefone. Muitas vezes, o código recebido é justamente o que permite a contratação de um produto financeiro em nome dele”, alerta Maleski.
Para o advogado, um dos sinais mais claros de risco é a pressão para fechar negócio rapidamente. Ofertas que prometem vantagens por tempo limitado ou exigem decisão imediata merecem desconfiança. Antes de assinar qualquer documento, a orientação é solicitar o contrato completo, conferir taxas, número de parcelas e verificar se a instituição financeira está regularmente autorizada a operar.
Quando um desconto indevido aparece no benefício, agir rapidamente faz diferença. O primeiro passo é consultar o extrato no Meu INSS para identificar a instituição responsável pela cobrança. Depois, o aposentado deve solicitar cópia do contrato ao banco e registrar reclamações nos canais oficiais. Caso o problema não seja resolvido, a situação pode ser levada à Justiça.
Maleski lembra que a legislação garante proteção ao consumidor nesses casos. Se ficar comprovado que a contratação ocorreu sem autorização, o beneficiário pode pedir o cancelamento do contrato e a devolução dos valores descontados. Dependendo das circunstâncias, também pode haver direito à indenização por dano moral.
Antes de contratar qualquer empréstimo, o advogado recomenda uma reflexão simples: o crédito é realmente necessário e a parcela cabe no orçamento sem comprometer despesas essenciais? Embora o consignado tenha juros mais baixos que outras modalidades, ele reduz a renda disponível por um período que pode chegar a vários anos
A participação da família também pode ajudar a evitar prejuízos. Conferir periodicamente os extratos do benefício, desconfiar de ofertas recebidas por telefone e conversar antes de qualquer contratação são medidas simples que contribuem para a segurança financeira dos aposentados. “Muitas fraudes só são descobertas meses depois. Quanto mais cedo o problema for identificado, maiores são as chances de evitar perdas”, afirma o advogado.

