Profissões tradicionais perdem renda enquanto novas carreiras disparam nos ganhos
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Profissões tradicionais perdem renda enquanto novas carreiras disparam nos ganhos

Profissões tradicionais perdem renda enquanto novas carreiras disparam nos ganhos Geral

Ocupações antes vistas com certo desdém proporcionam ganhos superiores às tradicionais, como medicina, advocacia e engenharia. É o caso do corretor de imóveis, cujo faturamento pode superar a casa dos milhões anual

Desde sempre, profissões tradicionais como medicina, advocacia, engenharia e afins eram as mais disputadas no vestibular e as mais bem vistas na hora de se escolher uma carreira com bom potencial futuro. No entanto, essa realidade está mudando. Ocupações até então vistas com olhar de preconceito deram lugar a admiração e deslumbre, como potencial para uma vida de luxo e ostentação, com remuneração superior às queridinhas.

É o caso do corretor imobiliário. A profissão têm se destacado entre aqueles que buscam por ganhos crescentes, com possibilidade de construção de patrimônio com autonomia e liberdade, muitas vezes, não vistos em outras categorias.

Uma pesquisa realizada pelo Cofeci-Creci em 2024 apontou que 19% dos corretores de imóveis estão entre os 5% mais ricos do Brasil, com rendimentos superiores a R$ 10 mil mensais. O valor é quase três vezes maior do que a média salarial no país, que de acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), está em R$ 3.652, referente ao trimestre encerrado em janeiro de 2026.

O valor é superior também ao rendimento médio de um advogado. Conforme um censo encomendado pelo Conselho Federal da OAB à Fundação Getúlio Vargas, a maioria dos advogados do país (64%) ganham até R$ 6,6 mil por mês e 34% ganham até R$ 2,6 mil.

O ganho médio de um corretor de imóveis equipara-se ao dos engenheiros e médicos. Dados da Federação das Indústrias do Estado do Rio de Janeiro (Firjan) junto ao Caged indicaram que a média salarial de um engenheiro no Brasil varia entre R$7 mil e R$ 10,5 mil. Já os médicos clínicos recebem R$ 10.071 em início de carreira.

A diferença entre as profissões tradicionais e a do corretor de imóveis é que seus ganhos podem ser muito maiores, na medida em que ele fecha mais negócios. “Hoje, a média salarial de um corretor é na faixa de 10 a 15 mil reais por mês, isso inicialmente, podendo alavancar até 40 mil. Depende muito da performance e da entrega”, afirma Luna Torres, diretora comercial URBS Infinity.

A profissional, que começou como corretora de imóveis e hoje lidera equipes de corretores, começou no mercado há dois anos e já viu a vida mudar por conta da corretagem. “Eu já faturei R$ 60 mil em uma única venda. Quando era professora de inglês ganhava R$ 3,5 mil por mês”, compara Luna.

Os ganhos podem subir, e muito, dependendo da experiência, dedicação e evolução do profissional, atingindo patamares milionários. “No ano de 2025, eu fiz 18 milhões”, conta Filipe Rezende, corretor de imóveis da URBS Cerrado.

De acordo com Filipe, infelizmente, a profissão de corretor ainda carrega consigo alguns preconceitos. “A nossa classe carrega esse lado ruim, de não ter esse reconhecimento que ela precisa. Mas muitas das vezes a gente acaba levando um salário maior do que uma profissão dessa que tem mais fama”, relaciona.

Apesar disso, ele afirma que não trocaria a atual profissão por nada. “Com a corretagem conquistei carro novo, conquistei casa, estou casando agora. Conquistei viagens, conquistei muita coisa que antes eu não tinha”, afirma Filipe.

“Tem gente que acha que a profissão não é boa, porque dá mais valor a outras profissões que têm formação superior”, reforça Luana Almeida. A corretora imobiliária conseguiu um VGV (Valor Geral de Vendas) de mais de R$ 22 milhões em 2025.

Luna reconhece: antes de entrar para o mercado imobiliário, tinha uma visão estigmatizada da profissão de corretor de imóveis. Mas, hoje, pensa diferente. “Com a minha prática na área, vi que esta é uma das profissões mais promissoras. Temos acesso a oportunidades que nenhum outro segmento nos proporciona”, pontua a diretora comercial.