Público abraça a Concha Acústica

O pôr do sol da tarde da quinta-feira (19.08) anunciou a noite especial que estava por vir com a reabertura da Concha Acústica, fechada desde março de 2020 por conta da pandemia da Covid-19. Antes mesmo da abertura dos portões para a entrada do público, nos ensaios, a passagem de som e o clima de camarim davam o tom de uma retomada, que encheu o espaço de felicidade. Depois de um longo tempo afastados, artistas e plateia se encontram numa noite multicultural. Entre os presentes, estavam o governador, Ibaneis Rocha, a primeira-dama, Mayara Noronha, e o vice-governador, Paco Britto.

As bailarinas do grupo de Ballet Mylene Leonardo, de Santa Maria, não escondiam o “frio na barriga”. De 7 a 15 anos, as meninas recebiam atentas as últimas orientações para atuar ao lado da Orquestra Sinfônica do Teatro Nacional Cláudio Santoro (OSTNCS).

Cheia de lembranças, a bailarina Nathália Chagas, 26 anos, contou que esteve na Concha com seus pais, quando era menina. “Esse processo é sensacional. O preparo e a ansiedade de montar a coreografia e dançar ao lado da Orquestra, um sonho realizado me dão a certeza da minha escolha: a dança”.

Com trajes de palhaço, o artista circense Ankomárcio Saúde, do Grupo Artetude, anunciou a abertura da festa e trouxe a irreverência do circo para receber os 1500 espectadores que ocuparam, com segurança, os bancos da Concha.

De São Sebastião,  Ankomárcio e e o irmão Ruiberdan revelaram o orgulho de pisar no mesmo palco que abrigou estrelas da cultura Nacional, como Roberto Carlos, Tim Maia, Elis Regina, Rita Lee e Djavan. Os Irmãos Saúde abriram o show de Alceu Valença na Concha, em 2013, no Festival das Águas. Saudou ainda a Secretaria de Cultura e Economia Criativa por ter composta uma programação com agentes culturais de diversas Regiões Administrativas do DF.

“Essa diversidade demonstra que a Concha Acústica é um espaço para os artistas de Brasília. Esse é um espaço da arte produzida na nossa cidade. É democrático e ao ar livre, para ser usado por diversas linguagens”, destacou.

DE CALHAMBEQUE A EVIDÊNCIAS

Sentado à primeira fila, o secretário de Cultura e Economia Criativa, Bartolomeu Rodrigues, não escondia a emoção durante a retomada das atividades do espaço, ficando de pé, por diversas vezes, para aplaudir cada atração.

Ao devolver a atividade cultural para o Distrito Federal, essa noite de estreia é como um afago no coração de cada cidadão”, apontou.

Uma das estrelas da noite, a Orquestra Sinfônica do Teatro Nacional Cláudio Santoro voltou ao calor presencial com uma composição reduzida de 25 musicistas de cordas e percussão e foi acarinhada pelo público presente. No rol de composições, além do clássico de Mozart, um desfile de obras emblemáticas em diálogo com a história da Concha, como a “Jovem Guarda. Do repertório de Roberto Carlos, Erasmo Carlos e Wanderléia, que tocaram no palco em 1967, a Orquestra executou “Pode Vir Quente que eu Estou Fervendo”, “Pare o Casamento”, “Festa de Arromba” e “Calhambeque”.

A acompanhante pedagógica e moradora do Jardim Botânico, Aline Lucena Leal, 26 anos, emocionou-se ao assistir o pout-pourri da Jovem Guarda. Aline tem sentimentos cativos pela movimento musical dos anos 1960, de quem sua avó Alane era grande fã. “Sempre tive vontade de vir aqui porque minha avó conta desse show que presenciou da Jovem Guarda na Concha”.

A apresentação da Orquestra levou a plateia a cantar em coro  “Evidências”, de Chitãozinho e Xororó, que contou a participação do cantor Fábio Viana. Ao final, o maestro conduziu uma homenagem à obra de Renato Russo e da Legião Urbana, com “Será” e “Que País é Esse?”. O público acendeu as luzes dos celulares e pediu bis prontamente atendido pelo emocionado maestro Cláudio Cohen.

“Lembro-me que nos anos 1980, eu estive neste palco, na época, como violinista da Orquestra, em concertos com o maestro Cláudio Santoro, que fundou a OSTNCS. Para todos nós, essa noite é uma memória afetiva”, revelou Cohen.

DIVERSIDADE AO AR LIVRE

Visivelmente emocionado, o público respeitou as normas de segurança, com ocupação de bancos alternados, e uso de máscara. Havia famílias com crianças e bebês, casais de namorados, grupos de amigos. Todos para prestigiar a volta de um equipamento simbólico na cidade, totalmente recuperado numa manutenção de R$ 422 mil realizada pela Secec.

“Esse aqui é o espírito de Brasília, a cidade tem vocação para atividades ao ar livre. Temos muito espaço para que a população se manifeste de diversas formas. Não somente politicamente, como também manifestações de forma artística e cultural. Aqui na Concha, por exemplo, nós já tivemos espetáculos belíssimos. Por isso a reinauguração é tão importante”, conta José Sóter, 68, professor aposentado e poeta.

Diretora do grupo de dança Orbital, Larissa Hollywood, 32 anos, esteve na Concha Acústica em shows de brasilienses renomados, como Zélia Duncan e o grupo de reggae Natiruts. “Chegar aqui e estar no palco para abrir um espaço que ficou fechado durante a pandemia é um momento simbólico e emblemático. Estamos testemunhando que a cultura do DF está sendo descentralizada, com a presença de vários grupos de fora do centro de Brasília”, destacou Larissa, que tinha, na coreografia, dançarinos LGBTQIA+.

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Redação

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