Reabertura do Rio Minho
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Reabertura do Rio Minho

Por Claudio Castro — Empresário, diretor da Sergio Castro Imóveis e presidente do Diário do Rio.
Ele sobreviveu ao golpe militar que derrubou a Monarquia Brasileira, à construção e à infeliz demolição do nosso Mercado Municipal, e à construção -e, esta sim, acertadíssima – demolição do pavoroso viaduto da perimetral, que chegava a lhe fazer sombra. Desde 1884 ocupando o mesmo lindo sobradão histórico da rua do Ouvidor número 10, esquina com o (atual) boulevard Olímpico, o Rio Minho é sinônimo de tradicional e alta gastronomia na região do Centro da Cidade, que, começa, aos poucos, a renascer.

A casa já serviu a muitos clientes importantes, e continua a fazê-lo. Talvez o mais assíduo tenha sido o filólogo Antonio Houaiss (1915-1999), que, de tão íntimo, ia pessoalmente na cozinha dar pitacos sobre as receitas. Nas paredes do salão em pé direito altíssimo, fotos de outros fregueses renomados, como o embaixador José Sette Câmara (1920-2002) e o ministro Pedro Leão Veloso (1887-1947), que teria passado a receita da adaptação da francesa sopa bouillabaisse, de peixe, lula e camarão, que acabou batizada com seu sobrenome. O ex-presidente José Sarney é outro de seus famosos comensais.

Nem vou me estender muito no blá-blá-blá, pois trabalho no Centro há 30 anos e é meu restaurante favorito. Podem gritar aos sete ventos aquela velha baboseira: ”matéria paga! matéria paga!” , mas na verdade quem paga mesmo sou eu, que frequento há décadas esta grande casa, autora do melhor bolinho de bacalhau do Brasil, chefiada há anos pelo veterano Ramon Isaac, da quarta geração de proprietários da casa que funciona há mais de um século em imóvel da Imperial Irmandade da Santa Cruz dos Militares, que já teve entre seus membros o Conde D’Eu.

O restaurante tem duas experiências a oferecer. A Cabaça do Minho, que funciona no Boulevard Olímpico, ao ar livre, e que não parou de servir os clientes que, como eu, não conseguem viver sem o polvo ou o bobó de lagosta. Bolinhos de bacalhau, já comi 35, antes de começar a enfrentar os problemas da idade (um pouco mais) avançada. Glutão é um problema. A outra experiência – minha favorita – é o almoço no salão antigão, principal, com acesso pela Ouvidor, logo depois da esquina da rua do Mercado. Desta ficamos órfãos – e como eu liguei cobrando sua reabertura! – durante a pandemia, mas agora que as coisas voltaram ao normal…. o Rio Minho voltou!

Esta semana mesmo vou lá comer o mais fabuloso e delicioso cherne grelhado, que peço sempre com arroz à grega sem passas, pimentinha da casa (fora molhos prontos!!) e muitos bolinhos de bacalhau crocantes, sequinhos, pequeninos e com aquele bacalhau branquinho, desfiadinho – isso nesmo, com fios de bacalhau, como tem que ser.

O polvo lá é outra iguaria espetacular. Tentáculos imensos, gordos, crocantes por fora e muito molinhos por dentro, grelhadinho com alho. Na verdade, tudo lá é muito bom e vê-se que é feito com esmero e carinho. A casquinha de siri é hors concours. Pra quem gosta de vinho, tem uma carta ótima. As sobremesas tradicionais portuguesas são simplesmente deliciosas.

Vale a visita. Mas vale muito. O Centro ganha demais com a reabertura total do Rio Minho, que é, com certeza, seu mais tradicional restaurante. #ReviverCentro

editor
Luiz Claudio de Almeida, carioca, jornalista, tricolor, apaixonado por carnaval. Foi subeditor da Coluna Anna Ramalho no Jornal do Brasil e atua repórter do Portal Annaramalho. Assessor de imprensa com experiência de mais de 20 anos nas áreas de cultural, entretenimento, turismo, negócios e gastronomia.