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“ZÉ KÉTI – 100 ANOS DA VOZ DO MORRO”

Com todos os cuidados que o momento da pandemia do Covid-19 exige, o Teatro do Centro Cultural Banco do Brasil Brasília recebe projeto que reverencia um dos maiores sambistas brasileiros no ano em que completaria seu centenário de vida. Quatro shows inéditos com artistas de diversas gerações, além de bate-papos inspirados no universo de Zé Kéti

De 10 de fevereiro a 03 de março, sempre às quartas-feiras 

O projeto Zé Kéti – 100 Anos da Voz do Morro comemora, de 10 de fevereiro a 03 de março no Centro Cultural Banco do Brasil Brasília, o centenário de um dos maiores compositores e sambistas brasileiros. Retomando a programação musical presencial com todas as exigências e cuidados em função do COVID-19, o público poderá conferir uma série de quatro shows inéditos com músicas inesquecíveis desse grande ícone carioca, um retrato de sua trajetória musical, suas composições consagradas, sua parceria com o cinema, o amor pelo carnaval e a noite carioca.

Grandes artistas de várias gerações emprestam suas vozes e interpretações em encontros musicais inéditos: João Cavalcanti e Fabiana Cozza, Zé Renato e Cristóvão Bastos, Moacyr Luz e Sururu na Roda, Casuarina e Nilze Carvalho.

Além dos shows, o projeto inclui bate-papos com os artistas João Cavalcanti e Fabiana Cozza, na primeira semana, e Zé Renato, na segunda, sempre às 19 horas, uma hora antes dos shows. As rodas de conversa abordarão temas bem atuais, como as mudanças de comportamento social nas últimas décadas, o repertório escolhido para os shows e a influência de Zé Kéti na carreira destes artistas.

No primeiro, João Cavalcanti e Fabiana promovem conversa sobre temática muito atual: Em tempo: Machismo não é questão de opinião. Eles falarão sobre misoginia e mudanças de comportamento da sociedade nas últimas décadas, tendo como base músicas do homenageado. Na segunda semana, Zé Renato apresenta a palestra intitulada Zé Kéti, Samba Carnaval e Cinema, e aborda o centenário do artista, sua influência e sua participação em trilhas musicais do cinema nacional, em filmes de diretores como Nelson Pereira dos Santos e Cacá Diegues.

Autor de sucessos inesquecíveis, apaixonado pelo Carnaval e pela noite carioca, ligado ao Cinema Novo e à Bossa-Nova, Zé Kéti deixou uma obra que é referência, até hoje, para inúmeros artistas. Sua importante trajetória musical será lembrada neste projeto que teve estreia no CCBB Rio e que seguirá para os centros culturais de Belo Horizonte e São Paulo, após a temporada em Brasília.

Os shows

Dia 10 de fevereiro – Eu sou o samba, com João Cavalcanti e Fabiana Cozza (participação especial) 

            O primeiro show traz um panorama da trajetória do artista passando por várias etapas de sua vida e obra com músicas inesquecíveis de sua carreira. A boemia e malandragem cariocas, os seus amores e desamores, a paixão pela Portela e pelo Carnaval, a sua parceria com o Cinema, o Opinião e os encontros no Zicartola ilustrados no repertório que traz composições como A Voz do morroDiz que fui por aí (parceira com Hortêncio Rocha) e Drama Universal.

            Para abrir a série de shows, João Cavalcanti, ex-integrante e fundador do Casuarina, eleito o melhor grupo de samba duas vezes no Prêmio de Música Brasileira, com quem lançou sete CDs e dois DVDs. Suas músicas têm sido gravadas por importantes artistas brasileiros, como Lenine, Roberta Sá, Joyce Moreno, MPB4 e Zé Renato. Em 2018, lançou “Garimpo”, registro intimista de seu duo com o pianista e acordeonista Marcelo Caldi, com participação do cantor português António Zambujo.

            E a consagrada sambista paulistana Fabiana Cozza, com oito CDs e três DVDs em sua carreira, que se destaca na cena atual como uma das importantes intérpretes da música brasileira contemporânea. Sua caminhada passa pelo teatro, pela dança e pela música. Atuou em musicais no início da vida artística e foi a vencedora do Prêmio da Música Brasileira em 2012 e 2018, respectivamente, como “Melhor cantora de samba” e “Melhor CD de língua estrangeira”.

Dia 17 de fevereiro – Zé Kéti e o Cinema – Zé Renato e Cristóvão Bastos

            Dois artistas de peso, Zé Renato e Cristóvão Bastos, levarão ao público uma faceta menos conhecida de Zé Kéti, que é a sua relação com o cinema nacional, onde teve atuação com suas músicas fazendo parte da trilha sonora de filmes de grandes diretores como Nelson Pereira do Santos e Cacá Diegues.  No repertório, composições como Flor do lodo e Malvadeza Durão, sucessos nas interpretações de grandes artistas de várias gerações.

            Cantor, compositor e dono de uma voz especialíssima, Zé Renato tem 45 anos de trajetória musical marcada por inúmeros sucessos. Começou sua carreira artística participando de festivais estudantis, amadurecendo ali sua verve de compositor, e em 1978, entra no grupo Boca Livre, ao lado de Claudio Nucci, David Tygel e Maurício Maestro. Desde então, foram inúmeros discos gravados, tanto em grupo, como solo, como a bela homenagem a Zé Kéti, de 1996, “Natural do Rio de Janeiro”. Intérpretes como Zizi Possi, Leila Pinheiro, Milton Nascimento, Lulu Santos, Joyce Moreno e Nana Caymmi já gravaram suas músicas.

            Compositor, arranjador e exímio pianista, Cristovão Bastos é uma das maiores referências da música brasileira atual. Nos seus 60 anos de carreira, recebeu 11 prêmios de música em diversas categorias – indicado ao Grammy e ganhador do Prêmio da Música Brasileira, e com composições como Todo o Sentimento, com Chico Buarque. É também parceiro de outros grandes nomes como Paulo César Pinheiro, Paulinho da Viola e Aldir Blanc. Suas músicas foram interpretadas por ícones como Elizeth Cardoso, Maria Bethânia, Simone e Ney Matogrosso.

Dia 24 de fevereiro – Diz que fui por aí – Sururu na Roda e Moacyr Luz (participação especial)

            As noites cariocas renderam a Zé Kéti muitas amizades, encontros e parcerias com grandes compositores. Nomes como Paulinho da Viola, Monarco, Nelson Cavaquinho, Elton Medeiros, Nara Leão, Cartola e Roberto Menescal se sentavam para tocar e falar de música em saraus memoráveis. E o ponto de encontro desses geniais sambistas e músicos foi o Zicartola, casa criada por Cartola e Dona Zica, que atraiu todo o tipo de gente interessada em samba e música da melhor qualidade.

            Eleito Melhor Grupo de Samba pelo 25º Prêmio da Música Brasileira, em 2014, com expressiva atuação nos cenários nacional e internacional, e performances ao lado de feras da MPB, o Sururu na Roda se destaca entre os grupos que revitalizaram a Lapa carioca a partir do ano 2000. Em 2018, passa por uma grande renovação, quando seus fundadores, Fabiano Salek e Silvio Carvalho se unem à cantora Ana Costa e ao cavaquinista e arranjador Alceu Maia. Um quarteto de multi-instrumentistas cantores que interpretam e renovam o samba com o um toque do bom humor carioca.

            Moacyr Luz faz parte de um grupo de artistas que não conhece fronteiras. Cantor e compositor de destaque no mundo do samba em mais de 40 anos de trajetória musical, é autor de clássicos como Saudades da Guanabara Pra que pedir perdão. Tem parcerias com alguns dos maiores nomes da música brasileira, como Aldir Blanc, Sereno, Hermínio Bello de Carvalho, Wilson das Neves e Paulo César Pinheiro. Criou o Samba do Trabalhador, movimento de resistência cultural, e é autor de sambas de enredo do carnaval carioca.

Dia 03 de março:  Um Sambista de Opinião – Casuarina e Nilze Carvalho (participação especial)

            No último show da série, o grupo Casuarina ressalta um momento importante da música brasileira: a participação de Zé Kéti no emblemático show Opinião, com Nara Leão e João do Vale. Marco de uma geração, com suas músicas, em tempos sombrios de ditadura, onde a produção cultural era vigiada de perto.

            Formado em 2001, o Casuarina tem nove CDs gravados e dois DVDs, e uma certeza de que os músicos se tornaram bambas na arte de unir letras repletas de imagens e melodias inspiradas. Atualmente, o grupo é formado por Daniel Montes, Gabriel Azevedo, Rafael Freire e João Fernando. Dos tempos em que tocava na Lapa até hoje, o grupo chegou a uma carreira internacional, que o levou para inúmeros países da Europa, além de Angola, Canadá, Cuba e Estados Unidos. Esteve ao lado de grandes artistas no palco, como Alcione, Arlindo Cruz, Maria Rita, Monarco e Elza Soares.

            Ao ser flagrada pelo irmão mais velho tocando Acorda Maria Bonita no cavaquinho, Nilze Carvalho, aos cinco anos, começava uma história de amor com a música. Dos 11 aos 14 anos, gravou, como bandolinista, a série de LPs Choro de Menina, que lhe rendeu turnês pela Europa e Ásia. De volta ao Brasil, fundou com amigos o grupo Sururu na Roda. Cantou e tocou ao lado de grandes nomes da música, como Dona Ivone Lara, Zeca Pagodinho, Martin’ália, Nei Lopes e Nelson Sargento. Produzido pela própria Nilze e Zé Luis Maia, o CD Verde Amarelo Negro Anil foi indicado ao Grammy Latino 2015, como Melhor Álbum de Samba/Pagode.

Zé Kéti, a Voz do Morro

            José Flores de Jesus nasceu no Rio de Janeiro, em 1921. A presença da música é marcante na sua infância. O pai, o marinheiro Josué Vale de Jesus, toca cavaquinho e seu avô, João Dionísio de Santana, é flautista e pianista. Em sua casa, são frequentes as rodas de choros, com ícones como Pixinguinha. Ainda menino, ganhou um apelido, Zé Quieto, encurtado depois para Zé Quéti e grafado com um K, tornado-se seu nome artístico.

            No inicio de 1950, Zé Kéti compõe o samba que se torna um dos seus maiores sucessos, A Voz do Morro. A música é gravada pelo cantor Jorge Goulart, em 1955, com arranjo de Radamés Gnattali. No mesmo ano, é tema do filme Rio 40 Graus, de Nelson Pereira dos Santos, e posteriormente, do programa Noite de Gala (TV Rio, Canal 13). Foi gravada, depois, por grandes intérpretes, como César Guerra-Peixe, Demônios da Garoa, Elis Regina e Jair Rodrigues, Luiz Melodia e pelo próprio autor. Em 1963, o compositor e cantor já é uma referência para os músicos que vêm da Bossa Nova. A peça Opinião, de Oduvaldo Vianna Filho, ganhou esse título a partir do samba homônimo de Zé Kéti, e contou com a participação de nomes como João do Vale, Ruy Guerra, Nara Leão, Carlos Lyra, Edu Lobo, Gianfrancesco Guarnieri e Maria Bethânia. Nesse espetáculo, ele lança também Diz que Fui por Aí (com Hortêncio Rocha) e Acender as Velas. Com o sucesso da peça, Zé Kéti viria a formar, depois, o grupo A Voz do Morro, ao lado de ícones como Élton Medeiros, Jair do Cavaquinho, Nelson Sargento e Paulinho da Viola, entre outros. No Carnaval de 1967, com Hildebrando Pereira Matos, compõe a marcha-rancho Máscara Negra, um dos maiores êxitos de sua carreira, gravada por Dalva de Oliveira, Jair Rodrigues, The Fevers, Eduardo Dusek, Elza Soares e  Maria Rita. Zé Kéti morreu em 14 de novembro de 1999, aos 78 anos.

 Serviço

Zé Kéti – 100 Anos da Voz do Morro

Local: Teatro do Centro Cultural Banco do Brasil Brasília

Endereço: SCES, Trecho 02, lote 22.

Temporada: Quartas-feiras, de 10 de fevereiro a 03 de março

10/02 – 19h – Bate-papo – Em tempo: Machismo não é questão de opinião

20h – Show Eu sou o Samba – João Cavalcanti e Fabiana Cozza

17/02 – 19h – Palestra Zé Renato – Zé Kéti, Samba Carnaval e Cinema

20h – Show Zé Kéti e o Cinema – Zé Renato e Cristóvão Bastos

24/02 – 20h – Show Diz que fui por aí – Sururu na Roda e Moacyr Luz

03/03 – 20h – Show Um Sambista de Opinião – Casuarina e Nilze Carvalho

Classificação indicativa: Livre

Capacidade: 150 lugares – sendo 3 para obesos, 3 para pessoas com mobilidade reduzida e 10 para cadeirantes.

Ingressos: À venda no site eventim.com.br – R$ 30 (inteira) e R$ 15 (clientes Banco do Brasil que pagarem com Ourocard e meia-entrada para estudantes e professores, crianças com até 12 anos, maiores de 60 anos, pessoas com deficiência e suas acompanhantes e casos previstos em Lei).

Confira as normas de visitação e segurança referentes ao COVID-19 no site bb.com.br/cultura e na emissão do ingresso.

Concepção e coordenação do projeto: Stella Lima

Produção Executiva: Leonardo Conde

Informações: (61) 3108-7600 ou [email protected]

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