Em 2014, na cidade de Uberlândia, Minas Gerais, o psicólogo Leonardo Abrahão idealizou a companha conhecida como “Janeiro Branco”.

A ideia da campanha é colocar o assunto da saúde mental em pauta para que se construa uma cultura da saúde mental na humanidade. A maior arma de enfrentamento é o conhecimento. Dentro do âmbito psicológico, a psicoeducação é fundamental para se mudar o estigma que a população possui sobre este assunto.

A educação psicológica fará uma diferença brutal em nossa sociedade. Entender que temos necessidades distintas não nos faz inferior ao outro. O adoecimento psicológico nada tem a ver com não ser forte.

No último ano, 2020, segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS), cerca de 93% dos serviços essenciais de saúde mental foram interrompidos devido à pandemia. No Brasil, o Ministério da Saúde divulgou que cerca de 86,5% dos entrevistados apresentavam sintomas de ansiedade, cerca de 45,5% de transtorno de estresse pós-traumático e depressão grave em torno de 16%. Tais dados confirmam a importância de se debater sobre saúde mental durante todo o ano.

A pandemia trouxe desafios para todas as pessoas e profissões; na psicologia não foi diferente. O uso da tecnologia, que até então era pontual, passou a ser o carro-chefe dos atendimentos. Se formos pensar de forma crítica, até então os números de atendimentos online eram infinitamente menores que os presenciais, mas, com a mudança forçada pela quarentena, é possível observar pontos muito positivos. Se estamos falando sobre possibilidade de psicoeducação, nada como a disseminação da profissão pela internet para se alcançar mais pessoas e então levar a reflexão sobre saúde mental a novos lugares, como cidades menores que às vezes tinham apenas um profissional da área e que agora, com o atendimento online, passaram a ser mais assistidas. Claro que, falando de um país como o Brasil, as desigualdades são infinitas. Nem todos que precisam ainda conseguem ter acesso ao atendimento psicológico.

Quanto mais falamos sobre a saúde mental, mais desmistificamos o assunto, trazendo para o campo do possível e da realidade de cada um. Afinal, estamos todos à mercê do adoecimento mental, como a depressão e a ansiedade – que são os transtornos mais comuns na sociedade brasileira. O debate sobre o assunto corrobora para que tragamos o tema para um senso comum, diminuindo as barreiras de linguagem, da condição financeira, educacional e se aproximando do lado humanístico que a profissão preza.

Caso precise de acompanhamento psicoterapêutico, não deixe de buscar ajuda. De forma gratuita, temos os CAPS (Centro de Atenção Psicossocial), além dos serviços oferecidos pelas universidades que possuem o curso de graduação ou pós-graduação em psicologia, diversos projetos sociais que abraçam a causa e disponibilizam psicólogos para atendimentos sociais e/ou gratuitos, o CVV (Centro de Valorização da Vida), entre outros.

*Marihá Lopes é psicóloga clínica, especialista em terapia cognitiva comportamental e psicologia social.

Mais informações: https://www.marihalopes.com/

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A jornalista Isabel Almeida, trabalha atualmente na Embrapa, é editora do site bsbflash, youtuber do canal Flash Brasília e escreve em diversos sites como: colunista do jornal Alô Brasília. Natural de Brasília, já trabalhou em diversos órgãos do DF, como na Secretaria de Educação; na Administração Regional do Gama; na Secretaria de Saúde, na Câmara Distrital, e também em GO, na prefeitura de Valparaíso, na gestão de José Valdécio . Atuou também no Conselho Federal de Engenharia e Agronomia- Confea, foi editora da revista Fala Prefeito; e colunista da revista AC/DF e colunista do site AIB News do Rio de Janeiro. Desde 2010 é vice-presidente da Câmara de Comércio Brasil e Portugal,e em 2016, foi nomeada presidente do Conselho comunitário do Octogonal e Sudoeste.