Pandemia deixa seus reflexos no Dia da Criança

Público infantil em situação vulnerável conta com ações voluntárias, como as do Projeto dos Amigos Doar Faz Bem, para ter um pouco de alegria na data

Se tem um grupo que tem sentido na pele os efeitos da crise sanitária provocados pela pandemia da Covid-19 é o das famílias de baixa renda. Relatório inédito divulgado no dia 29 de setembro pela Organização das Nações Unidas (ONU) mostra que, embora a pandemia tenha atingido todos os países, as consequências devem ser piores para as nações com maior desigualdade social, como o Brasil. De acordo com o documento, a pandemia desencadeia uma crise com impactos em todas as dimensões do desenvolvimento humano: renda, saúde e educação. No Brasil, diz o relatório, os grupos em situação de vulnerabilidade são os mais afetados, tornando ainda mais evidentes as diferenças de acesso à proteção social, educação, emprego, renda e moradia.

Com o Dia das Crianças chegando, muitos projetos sociais estão com ações durante o mês de outubro para entregar doações de alimentos, cestas básicas, doces, produtos de higiene, livros e brinquedos. Apesar de ser mais um ano de pandemia, não houve desmobilização das entidades para marcar a data e levar alegria aos pequenos. As alternativas foram buscar soluções que evitassem aglomerações, como realizar eventos menores ou fazer apenas distribuições de kits em comunidades carentes.

Em Goiânia e região metropolitana, o Projeto dos Amigos Doar Faz Bem, em parceria com a Inter Hospitalar e o Hospital Santa Maria, está realizando uma campanha solidária para atender mais de 300 crianças. A ação tem o objetivo de fazer a doação de doces, roupas, alimentos não perecíveis e brinquedos ao público infantil.

“A parceria nasceu da ideia de começarmos a fazer alguns projetos sociais dentro do Hospital Santa Maria. Como existe o grupo Doar Faz Bem, do qual já participamos, resolvemos nos vincular para ampliar as ações, participar de uma maneira mais assídua e alavancar o próprio projeto”, conta o médico pediatra Károly Hunkár, diretor da Inter Hospitalar.

De acordo com o diretor executivo do Hospital Santa Maria, Gustavo Safatle Barros, a instituição sempre participa de projetos sociais, que na visão dele deve ser assíduo e contínuo. “Os empresários da área da saúde devem manter um maior engajamento junto as questões sociais”, pontua.

Projeto Doar Faz Bem

Criado em 2014 por um grupo de cinco amigos, o Projeto dos Amigos Doar Faz Bem é uma organização não-governamental que nasceu com o objetivo de desenvolver ações em prol de crianças, adolescentes e famílias socialmente vulneráveis nas comunidades de Goiás. Desde então o projeto, que hoje conta com mais de 100 voluntários, organiza a arrecadação e distribuição de cestas básicas, roupas, brinquedos, móveis e medicamentos em diversas atividades pelo Estado.

O trabalho é feito em asilos, hospitais, casas de apoio, casas de recuperação, creches, escolas, orfanatos e comunidades carentes de modo geral. Sua primeira ação solidária foi a realização da 1º Edição do Natal Criança Feliz, em 2014, quando foram distribuídos cerca de 600 presentes para crianças carentes do município de Hidrolândia.

Pandemia

Durante a pandemia de Covid-19, que levou o mundo ao isolamento social para impedir a circulação do vírus, o Doar Faz Bem enfrentou alguns desafios. “Nos primeiros meses que as pessoas precisavam de ajuda, tentamos evitar o máximo de contato possível, para também proteger as famílias que vivem nessas regiões carentes”, conta Leandro Silva Lemos, um dos idealizadores do projeto. “Ainda assim, não suspendemos as ações, que tiveram queda nas arrecadações. Apesar dos contratempos, íamos nas casas, como fazemos até hoje, e deixávamos as coisas nas portas já higienizadas”, revela.

Não é segredo para ninguém que o índice de pessoas carentes e famílias em situação de vulnerabilidade aumentou com a pandemia. “Vivenciamos uma situação preocupante que acreditamos que tenha o protagonismo da pandemia de Covid-19. Ela foi a responsável pela desestruturação familiar de muitos lares, pais perderam suas fontes de renda e houve o fechamento de espaços de proteção, como escolas. Manter ações voluntárias, buscar arrecadações e fazer doações dentro desses projetos têm feito a diferença na vida dessas pessoas e crianças”, assegura Ana Cláudia Hunkár, uma das diretoras da Inter Hospitalar.

O projeto, além do apoio da Inter Hospitalar e do Hospital Santa Maria, médicos, colaboradores e pacientes, conta ainda com a doação de qualquer pessoa que queira fazer a diferença na vida dessas crianças. Por isso, está recebendo brinquedos, novos ou usados em bom estado, doces, roupas e alimentos não perecíveis, para serem entregues no dia 11 de outubro a cerca de 300 crianças das comunidades Terra do Sol e Buriti Sereno, em Aparecida de Goiânia, e Garavelo Sul, em Hidrolândia. Quem não puder fazer as doações até o dia 10 de outubro na sede do Hospital Santa Maria, localizado na Rua 68, número 377, Setor Central, pode contribuir pelo PIX (Chave 309.784.751-00 – CPF João Ferreira Lemos).

Leandro acrescenta que em uma das regiões que o grupo assiste há mais de 800 crianças e adolescentes. “No bairro, há uma escola municipal que fechou para as atividades presenciais e as aulas passaram a ser on-line. Como nosso projeto é em parceria com a escola municipal, deixamos também os donativos na escola para retirada dos pais quando fossem buscar as atividades escolares de seus filhos que estão em casa”, exemplifica.

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Redação

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